Vinicius Lummertz
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Vinicius Lummertz

Mais de 52% dos brasileiros, segundo as últimas pesquisas nacionais, não querem nem Lula nem Bolsonaro na Presidência da República em 2023. E essa maioria do eleitorado não quer ter que escolher entre os dois nas eleições de outubro do ano que vem. Por isso, prefere uma 3ª Via, um nome que agregue esse não só esse sentimento de repulsa ao populismo de esquerda e de direita que tomou conta do país nos últimos 20 anos, mas que também agregue as forças democráticas, responsáveis, patrióticas e que sabem como tirar o país dos sucessivos fracassos que nos fizeram cair de 6ª para 13ª economia mundial. E com mais uma crise econômica batendo à porta, logo em seguida à histórica recessão em que Dilma Rousseff nos meteu em 2016/17.

Como já disse que aqui, a 3ª. Via tem que ser o resultado da união de históricas siglas políticas e lideranças que tiraram o Brasil da ditadura e o colocaram no caminho da redemocratização. Na linha de frente, o MDB, o PSDB, o PSD e outros partidos ou integrantes de partidos que comungam com o mesmo sentimento de responsabilidade de reconstruir e reerguer o Brasil.

Que Lula e Bolsonaro sejam contra a 3ª Via, nada menos surpreendente. O que está causando grande indignação é que dentro dos quadros até históricos que deveriam se constituir em pilares dessa 3ª Via estejam surgindo articuladores de um boicote orquestrado – e que, invariavelmente, têm na sua origem interesses pessoais, nada republicanos.

O pior desses boicotes vem acontecendo no momento em que o PSDB dá um show de democracia e esperança ao país, realizando prévias no próximo dia 21 para escolher o candidato tucano à presidência da República. Disputam os governadores João Doria, de São Paulo, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

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Pela lógica, aquele que ganhar vai unir o partido em torno do seu nome e também buscar alianças para fortalecer uma candidatura que possa fazer crescer o tamanho da 3ª Via revelado pelas pesquisas – ou seja, mais da metade do eleitorado brasileiro. No entanto, um personagem que, infelizmente, ainda faz parte do PSDB e que frequentou as páginas da Operação Lava Jato, o deputado Aécio Neves, vem fazendo trabalhando nos bastidores para detonar qualquer possibilidade de seu próprio partido ter candidato a presidente da República.

Quem explicou isso de forma bastante simples foi o jornalista Carlos Alberto Sardenberg que, aliás, fugindo um pouco da sua especialidade, que é a economia, explicou aos assinantes da Globo News: “O PSDB está dividido em dois grupos. Na verdade, um grupo é o do João Doria, que quer ter um candidato à Presidência da República e que esse candidato seja o João Doria. O outro grupo está dividido em duas partes: tem a turma do deputado Aécio (Neves), que não quer ter candidato à Presidência da República, quer aderir a uma outra candidatura, talvez a do Rodrigo Pacheco, mas não quer ter candidato à Presidência da República. Entre outras coisas porque com isso sobra mais dinheiro para as campanhas dos deputados. Como estratégia o grupo do Aécio está apoiando o governador Eduardo Leite, na expectativa de que, se o governador Eduardo Leite ganhar as prévias do PSDB, ele não tem fôlego para sustentar a candidatura. Então não tem candidatura”.

Tudo isso é lamentável, ainda mais partindo do neto de Tancredo Neves, um dos heróis da redemocratização brasileira. Infelizmente, Aécio parece ter conseguido seduzir o governador Eduardo Leite a se aliar a essa sórdida estratégia, que transforma o PSDB numa sigla menor e que fatalmente diminuirá o partido, ainda mais, em todo o país.

Mas o Brasil e o PSDB são muito maiores do que Aécio Neves: o que há de bom nessa história é que do outro lado está João Doria e, com ele, todos os tucanos que desejam a construção da 3ª Via para oferecer esperança e renovação ao Brasil. João Doria que tem feitos tem feitos concretos, na vacina, na economia e na área social. Isto deveria importar mais para os democratas brasileiros.

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