O dever de MDB e PSDB para com o Brasil
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O dever de MDB e PSDB para com o Brasil

Depois de 20 anos de governos populistas – que derrubaram o Brasil de 6ª para 13ª economia do planeta – as eleições de 2022 se apresentam como um dever para cada um de nós, de dar uma virada no país. Ou retomamos o rumo em que fomos colocados em 1994 pelo Plano Real do Governo Fernando Henrique Cardoso , ou poderá se transformar numa Venezuela.

Retomar o rumo que o PSDB traçou para o país em 94 – extirpando o maior câncer nacional, a inflação, que agora nos assombra com Bolsonaro – é um dever cívico. É uma questão de resgatar os princípios que nos levaram à redemocratização, em 1985 e que construíram a Constituição de 1988.

E esses princípios nasceram dentro do então PMDB, central no processo de redemocratização entre 1983 e 85, pela formação da Aliança Democrática, quando a sigla atraiu quadros importantes do PDS, a antiga Arena, e que no futuro seria o PFL, que deu origem ao DEM e ao “novo” PSD. Unida pelo país, a Aliança Democrática não conseguiu fazer passar as eleições diretas para presidente da República, mas venceu as indiretas no Congresso, com Tancredo Neves.

Na redemocratização, houve uma divisão do PMDB, que foi o PSDB, e os dois nunca mais marcharam unidos numa mesma chapa nacional. Isso é importante que se recupere no Brasil. Isso eu tive a oportunidade de dizer pessoalmente ao ex-presidente Michel Temer, que considerava fundamental para o país. Porque esse é um centro histórico, programático, no sentido ideológico de ser um partido das classes médias ascendentes do Brasil da década de 60 em diante.

De uma classe que mescla professores, bancários, médicos, advogados, engenheiros, empreendedores, agricultores, comerciantes, industriais, pequenos e médios empresários, patriotas, enfim, uma classe responsável, que queria criar uma Democracia no Brasil nos moldes das democracias europeias. E isso é uma obra muito difícil, nenhum outro país da América Latina realizou, talvez com exceção do Chile, que é um país pequeno – a obra aqui é maior. E, exatamente por sua dimensão, não é indicada a separação dos dois partidos.

Em estando juntos, devem reagrupar o que foi a Aliança Democrática. Quadros importantes que estão no PSD, no DEM – que, infelizmente, está se unindo ao PSL, o que é algo inorgânico – porque aí sim nós teríamos uma candidatura de Centro com conteúdo e ideal histórico – e não do “centrão”. Porém, poderíamos até imaginar a adesão de partes do “centrão” que viessem se incorporar a um viés histórico. Aí nós não estaríamos nos afastando dos extremos.

Extremos, à esquerda e à direita, que têm os dois chamados “candidatos-polo”, Lula e Bolsonaro, que hoje não conseguem sequer entrar num restaurante, num avião, numa praia, em qualquer local público, sem serem vaiados. Ora, se nós vaiamos os extremos, a nossa responsabilidade aumenta de apresentarmos uma alternativa com conteúdo histórico, com formulação para o país.

Neste mesmo diapasão também é importante a união em São Paulo, principalmente na manutenção do Geraldo Alckmin no mesmo universo do PSDB – este seria o ideal, estarmos todos juntos nessa reconstrução democrática do país. Até porque as divisões, não só do PSDB com relação ao MDB, foram negativas para a história política recente do Brasil, mas também as internas do PSDB. São divisões que revelam uma certa falta de sentimento democrático no Brasil, que colocaram agendas privadas à frente de agendas de interesse público.

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É hora dessas elites políticas nesse nível de responsabilidade histórica estarem juntas em nível nacional – PSDB, MDB, partidos da chamada Aliança Democrática. Todos por um projeto funcional para o Brasil. Um projeto funcional é um projeto que organize o país para reformas, e que priorize um pacto pela criação de uma classe média pujante e justa. O Brasil precisa criar uma classe média, precisa criar ascensão social, precisa criar condições de equidade, o Brasil precisa cuidar do Brasil e não de ideologias ultrapassadas, tanto à esquerda quanto à direita.

E o MDB e o PSDB têm essa capacidade: se o MDB é a matriz da redemocratização, o PSDB é a do controle da inflação e das privatizações que colocaram o Brasil na modernidade. O que tem de importante e evoluído está neste cenário.

Esta falta de um MDB ou de um PSDB, de um PSD, de um DEM, é a falta que faz na Argentina. A Argentina é quase toda “peronista” - e por isso ela não foi para a frente. E nós temos os nossos “peronismos”, tanto Bolsonaro quanto Lula são nossos “peronistas”, são populistas.

E aí segue meu raciocínio: você precisa de gente como “piloto” do país que possa levantar o avião, fazer o avião voar na turbulência, viajar e pousar, o que é o mais difícil. Começo, meio e fim. Quem fez isso? Fernando Henrique, que levantou o avião, voou e pousou. Michel Temer fez a mesma coisa, tirando o país da mais grave recessão dos últimos 100 anos, porém entregou o avião para quem não sabe fazer isso.


E Lula? Foi a mesma coisa: levantou o avião, mas entregou para Dilma, que não sabe fazer isso e acabou caindo com o avião. Isso com 80% de popularidade. Mas com a falta da lógica de comprometimento com o povo que “elites” bem formadas tiveram dentro do MDB e do PSDB. Formação de líderes como Fernando Henrique, um Michel Temer, um Luiz Henrique, um Franco Montoro, um Ulysses Guimarães, um Tancredo Neves, um Mário Covas – eles têm uma formação que nos permite ainda ter esperança da recuperação desse centro.

Para os que consideram que a recomposição de uma Aliança Democrática é utopia, lembro que no Brasil do início dos anos 80 a repressão da ditadura apagava qualquer luz de esperança de vermos o país voltar ao Estado de Direito. Porém, mesmo reprimido, o PMDB acendeu uma pequena chama, que depois iluminou todo o país com a campanha das Diretas Já.

A história faz com que MDB e PSDB tenham um dever para com a Nação: que eles acendam mais uma vez a luz e iluminem o caminho. Este é o papel de líderes humanistas pautados em desapego, grandeza, risco e prêmio. Prêmio para um povo sofrido, que vive num país rico e que merece não ser enganado pelas miragens do populismo.

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