
O israelense Yonatan Samerano, de 21 anos, percebeu em instantes que estava em perigo na manhã da invasão do Hamas ao sul de Israel, no dia 7 de outubro de 2023. Rapidamente, fugiu da área do Festival Nova, do qual participava com dois amigos, e seguiu em direção ao kibutz Be'eri, nas proximidades. Ali, os três foram mortos por terroristas palestinos em uma emboscada. Eram 6h55 da manhã.
Às 9h43, uma caminhonete proveniente de Gaza chegou ao local da emboscada. Segundo ficou registrado em imagens das câmeras de segurança do kibutz, seus dois ocupantes colocaram o corpo inerte de Yonatan no bagageiro do veículo. O corpo do jovem só seria recuperado pelas forças israelenses em Gaza em 21 de junho de 2025.
Yonatan era DJ e amava música eletrônica. Faisal Ali Al-Naami, um dos homens que o sequestrou, era assistente social da UNRWA, órgão da ONU, em Gaza.
A UNRWA foi criada como uma agência temporária da ONU após a Guerra da Independência de Israel, em 1949, para prestar assistência humanitária e buscar uma solução para a questão dos refugiados palestinos. De temporária, ela tornou-se permanente.
Apesar da fachada de neutralidade, ela conta com poucos supervisores internacionais — praticamente 100% de seus funcionários são cidadãos locais. Sua estrutura ideológica rejeita a legitimidade de Israel e reforça a manutenção do status de refugiado dos palestinos.
Evidências, mas em vão
Desde o início da atual guerra, há quase três anos, Israel vem apresentando inúmeras evidências da participação de funcionários da UNRWA no ataque de 7 de outubro. O nome do “assistente social” Al-Naami foi divulgado pelo governo israelense em fevereiro de 2024. À época, a mídia ocidental caracterizou a acusação como “alegação”.
Na semana passada, a acusação foi formalmente confirmada por investigadores federais americanos: o corpo de Yonatan foi, de fato, raptado por um membro do braço de “comunicação militar” do Hamas. A partir de então, um grupo de advogados americanos passou a exigir que a UNRWA fosse oficialmente designada nos EUA como organização terrorista. Eles juntam-se à administração Trump, que exige a dissolução total da UNRWA.
A ONU não confirmou as acusações.
Gota no oceano
Em 12 de junho deste ano, o diretor atual da UNRWA, Christian Saunders, demitiu 70 funcionários apontados como associados ao Hamas. A ONU, novamente, não confirmou a ligação entre o afastamento e as acusações israelenses. “Ótima notícia, mas esta é uma gota no oceano” , reagiu Hilel Neuer, diretor executivo da ONG UN Watch, órgão que fiscaliza a atuação da ONU. Segundo a UN Watch, pelo menos 1,5 mil membros do Hamas são funcionários da agência. “A UNRWA não pode ser reformada: ela precisa ser fechada” , defende Neuer.
Na atual guerra, não apenas funcionários ligados à assistência social da UNRWA são suspeitos de envolvimento com o Hamas: o mesmo acontece com profissionais das áreas de Saúde e Educação. Segundo informações divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), pelo menos 15% dos 546 diretores e vice-diretores de escolas da UNRWA são membros do Hamas e de outras organizações terroristas de Gaza. Pelo menos três professores da UNRWA foram identificados por reféns israelenses como seus algozes.
Duplo papel também na medicina
Muitos médicos e enfermeiros mortos em Gaza são simultaneamente pranteados como profissionais da medicina e como mártires de grupos terroristas. O ex-secretário da ONG internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicou um relatório no qual descreveu a proximidade da entidade com o Hamas. Fotos publicadas nas redes sociais palestinas trazem vários exemplos.

Israel, na tentativa de romper a ligação entre ONGs e grupos terroristas, divulgou uma lista de 37 ONGs em Gaza que poderão ter suas operações suspensas na região — a MSF entre elas — caso não cumpram as exigências de segurança e transparência impostas pelo país. O novo regulamento, segundo o governo israelense, visa impedir que ONGs apoiem o terrorismo nos territórios palestinos.
Segundo o ministro dos Assuntos da Diáspora e do Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, “a mensagem é clara: a assistência humanitária é bem-vinda; a exploração de estruturas humanitárias para fins de terrorismo não é.”
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG