
Fundada em 1946, a PUC-SP nasceu de uma convicção que permanece extraordinariamente atual: o conhecimento não pode ser separado da dignidade da pessoa humana, e a educação não pode prescindir de um horizonte de valores e princípios.
Sua história demonstra que excelência acadêmica, compromisso social e fé não são dimensões incompatíveis.Ao contrário, quando verdadeiramente integradas, tornam-se forças capazes de transformar pessoas e, por meio delas, a própria sociedade.São oito décadas dedicadas à educação. Mas educar, para a PUC-SP, jamais significou simplesmente transmitir conhecimento.A Universidade, nesses 80 anos, formou gerações de profissionais, professores, pesquisadores, juristas, médicos, psicólogos, filósofos, cientistas, sociólogos, antropólogos, historiadores, assistentes sociais, comunicadores, contadores, administradores, economistas, líderes etc; e, principalmente, cidadãos.Em suas salas de aula, corredores, bibliotecas e centros de pesquisa, o conhecimento sempre encontrou espaço para a reflexão crítica, para o diálogo e para a inquietação intelectual.A PUC-SP ensina a pensar. E como sempre digo, por sua identidade humanista, grandeza intelectual e tradição crítica, ela é a Sorbonne brasileira.E pensar, em uma Universidade Católica, significa também reconhecer que a ciência e a razão, embora indispensáveis, não esgotam a grandeza da experiência humana.É precisamente aí que se encontra uma das características mais profundas da identidade da PUC-SP: sua fé nunca significou renúncia à razão; sua razão nunca exigiu renúncia à fé.A Universidade carrega em seu próprio nome uma missão. É Pontifícia. É Católica. É Universidade.Essas três palavras sintetizam uma identidade que atravessou oito décadas.Universidade porque é lugar da liberdade intelectual, da investigação científica, da pluralidade e da busca incessante pela verdade.Católica porque é cristã e reconhece no ser humano uma dignidade que não depende de sua condição econômica, social, cultural ou de qualquer outra circunstância.Pontifícia porque, desde 1947, recebeu da Santa Sé, por concessão do Papa Pio XII, essa especial dignidade, que a insere na secular tradição das universidades pontifícias, comprometidas com a educação, a elevação da pessoa humana, o bem comum e a fé cristã.Por isso, a história da PUC-SP não pode ser contada apenas por datas, edifícios, cursos, títulos ou estatísticas. Sua verdadeira história está nas pessoas.Está nos professores que dedicam suas vidas ao magistério. Nos funcionários que constroem cotidianamente a Universidade. Nos estudantes que chegaram jovens aos seus bancos e deles partiram levando conhecimento, amizades, valores e uma identidade que os acompanhará para sempre.Existe algo singular nesta Universidade: ninguém passa pela PUC-SP sem levar consigo um pouco dela e sem deixar nela um pouco de si.Ao longo de seus 80 anos, a Universidade testemunhou profundas transformações políticas, econômicas, sociais, tecnológicas e culturais.O mundo de 1946 praticamente desapareceu. Surgiram novas tecnologias, novas profissões, novos conflitos e novas formas de relacionamento humano.Mas nossas eternas inquietações permanecem.Que sociedade queremos construir? Qual é a responsabilidade daquele que possui conhecimento? Para que serve a ciência se ela não estiver a serviço da humanidade? Qual é o sentido do desenvolvimento quando ele abandona a pessoa humana?São perguntas que uma Universidade Cristã não pode deixar de formular e que deve procurar responder incessantemente.Em tempos de extraordinário avanço tecnológico, inteligência artificial e transformação digital, a missão humanista da PUC-SP é mais necessária do que nunca.Quanto mais poderosa se torna a técnica, maior deve ser nossa responsabilidade ética.Quanto mais veloz se torna o mundo, maior deve ser nossa capacidade de reflexão.Quanto mais a humanidade domina as coisas, mais precisa recordar o valor incomensurável das pessoas.É por isso que celebrar os 80 anos da PUC-SP não significa apenas reverenciar o passado.Significa assumir responsabilidade pelo futuro.Os próximos oitenta anos exigirão uma Universidade cada vez mais inovadora, disruptiva, internacional, interdisciplinar e tecnologicamente avançada.Mas exigirão, sobretudo, que permaneça profundamente humana.Que continue formando não apenas excelentes profissionais, mas pessoas conscientes de que o conhecimento implica responsabilidade e encontra na fé uma dimensão de transcendência.Que continue sendo espaço de liberdade, diálogo e pluralidade.Que continue procurando a verdade sem medo.E que jamais abandone a convicção que está na origem de sua própria existência: a pessoa humana deve permanecer no centro da educação, da ciência e da sociedade.Oitenta anos depois, milhares de histórias individuais se confundem com a história desta Universidade. Assim também acontece com a minha.Gerações se sucederam. Professores tornaram-se mestres de outros professores. Alunos tornaram-se docentes. Famílias passaram a compartilhar, entre gerações, o orgulho de pertencer à Comunidade PUC-SP.É assim que uma instituição se transforma em tradição.E tradição não significa permanecer imóvel no passado. Significa receber daqueles que vieram antes de nós um patrimônio intelectual, moral e espiritual, preservá-lo, enriquecê-lo e entregá-lo ainda maior àqueles que virão depois.Este é o nosso compromisso.PUC-SP, 80 anos.Oitenta anos de história.Oitenta anos de educação.
Oitenta anos de ciência e consciência.
Oitenta anos de compromisso com a dignidade humana.
Oitenta anos de fé.Uma Universidade que nasceu para ensinar, aprendeu também a resistir, dialogar, transformar e servir.E que siga seu caminho, pelas próximas gerações, fiel àquilo que está na essência de sua missão: educar pela razão, servir pela humanidade e iluminar pela fé.Ad multos annos, PUC-SP.E, acima de tudo,Nihil sine Deo.Ricardo Sayeg
Filho da PUC-SP. Aluno e Professor. Graduado, Mestre, Doutor, Pós-Doutor e Livre-Docente pela PUC-SP.
