
Eu descobri uma coisa que Lula e Flávio Bolsonaro têm em comum. Os dois estão preocupadíssimos com o brasileiro.
Justamente agora, coincidentemente.
Olha o Flávio. Até outro dia, ele era crítico da PEC do fim da escala 6x1. Na semana passada, chamou a proposta de oportunismo do Lula. Agora passou a declarar voto a favor. O motivo, segundo ele, é a “vontade da maioria do povo”.
Engraçado como a vontade da maioria do povo ficou audível bem a 12 dias do segundo turno.
Mas ele apoia com asterisco. Diz que quem vai pagar a conta é o governo, porque os empresários estão sufocados. O governo. Aquele que ele quer chefiar a partir de janeiro.
É o sujeito que pede a pizza e manda entregar a conta no endereço onde ele pretende morar daqui a três meses.
No mesmo dia, o Lula prometeu um Pé-de-Meia pra universitário. Setecentos reais por mês, a partir de 2027.
Se ele ganhar, claro.
Pra receber, o aluno tem que passar de ano. E o Lula, no segundo turno.
E não foi só isso.
Só neste ano, o Lula soltou Prospera MEI, reajuste do Bolsa Família, zeradão nos combustíveis, isenção do Imposto de Renda até cinco mil, bloqueio de bets e o fim da taxa das blusinhas.
Que ele mesmo sancionou em 2024.
O homem conseguiu criar o problema e vender a solução no mesmo mandato. Com direito a cerimônia no Planalto a 24 dias do primeiro turno.
O Flávio, por sua vez, defende o fim da reeleição e topa discutir mandato de cinco anos.
Eu sou radicalmente contra.
Minha proposta é outra: eleição todo ano.
Você pode dizer: “Ai, Oscar, a gente vai perder dois domingos por ano?”.
Cara, olha o tanto de benefício que aparece quando político precisa da gente. Eu voto até no Natal. Levo o panetone pra fila.
Político e eleitor vivem um relacionamento tóxico. Ele passa três anos te tratando mal. Quando percebe que vai dar ruim, aparece com flores, chocolate e isenção de Imposto de Renda. E a gente, carente, aceita.
Com eleição anual, eu quero hospital novo na segunda, imposto reduzido na terça. Se na quarta não tiver novidade, despenca na pesquisa.
Político tem que viver com medo de perder o emprego.
Igual ao brasileiro.
Tem outra vantagem: mudar de opinião ia sair caro. O Flávio levou uma semana pra virar na 6x1. Num mandato de um ano, isso dá uns 2% do governo gastos só pra dar meia-volta.
Eu quero candidato comendo pastel e tomando caldo de cana o ano inteiro. Se engordar, tudo bem. O Lula já prometeu caneta emagrecedora no SUS.
E tem parlamentar que aparece trabalhar pra em Brasília só de terça a quinta. Escala 3x4. É essa turma que tá decidindo o fim da 6x1 dos outros.
Com eleição todo ano, político ia conhecer a 6x1 por dentro: seis dias trabalhando e um procurando emprego.
Já que oportunismo não tem cura, então que seja todo ano.
Porque, do jeito que está, o eleitor brasileiro é cliente de Black Friday. A promoção dura um mês.
E o carnê... quatro anos.