O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL)
Foto: Marcoa Oliveira/Agência Senado
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL)

Brasileiro sempre gostou de reclamar do país. Antes era dentro de casa. Depois evoluiu pro palanque. Depois pras redes sociais.

Eduardo Bolsonaro atualizou isso. Internacionalizou a reclamação. Foi reclamar do Brasil direto pra um governo estrangeiro. Daqui a pouco pede pro Elon Musk asilo em Marte.

Antigamente, político tentava convencer o eleitor. Agora tenta convencer outro país.

E o vídeo mais comentado do processo nem foi gravado em segredo. Eduardo mesmo postou agradecendo o Trump por revogar visto de ministro do STF, terminando com:

Tem muito mais por vir. Eduardo Bolsonaro



Tinha mesmo

Quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Por unanimidade .

A defesa disse que ele não tem poder de decisão sobre a política externa dos EUA, que não integra o governo americano, que não exerce função pública lá.

Isso não é defesa. É a acusação, só que resumida.

Porque o crime nunca foi ele ter cargo no governo americano. O crime foi articular sanção, tarifa e visto cancelado em troca da soltura do pai.

Como o próprio Moraes resumiu durante o julgamento:

Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Alexandre de Moraes


Independente da opinião que se tenha sobre o ministro, foi exatamente isso que Eduardo fez. Lobby.

E lobista contra o próprio país é, no mínimo, um título curioso pra quem se apresenta como patriota.

Ele provoca constantemente a instituição de justiça do Brasil. Depois abandona o mandato enquanto articula uma sanção internacional contra o próprio país. E quando começa o processo de punição, rotula isso de perseguição.

Isso não é estratégia política. É aquele garoto que dá um tapa na careca do colega maior, achando que não vai dar em nada só porque tem um outro amigo com porta-aviões.

Eduardo não apareceu nos interrogatórios do processo. Foi citado por edital. E mesmo assim, a defesa teve a audácia de tentar imunidade parlamentar.

Como, se o mandato dele já tinha sido cassado? É tipo ex-funcionário tentando entrar na empresa com o crachá vencido.

Depois da condenação, Eduardo disse que "o real objetivo deste julgamento é tirar meu nome das eleições."

Estranho, porque o objetivo de toda essa articulação nunca foi a eleição dele. Era livrar o pai.

Não conseguiu proteger nem o pai, nem ele mesmo.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes