Genivaldo foi asfixiado até a morte em carro da PRF
Imagens da internet
Genivaldo foi asfixiado até a morte em carro da PRF

A família de Genivaldo de Jesus Santos conta que há 20 anos ele tomava remédios controlados, por conta da esquizofrenia. Algumas cartelas, inclusive, estavam no bolso dele quando foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal pilotando uma motocicleta, na cidade de Umbaúba, no Sergipe.

O aviso feito pelo sobrinho de Genivaldo aos policiais, de que o tio tinha transtornos, não bastou. Mesmo com o homem já contido, algemado e amarrado pelas pernas (!!!), Genivaldo foi colocado no porta-malas da viatura e asfixiado até a morte. Em nota, a PRF reduziu a criação de uma câmara de gás móvel a “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo”.
As imagens horripilantes, que em qualquer lugar sério do mundo levariam a um pronunciamento oficial das autoridades máximas do país, estão disponíveis para qualquer cidadão ver e rever. A equipe médica do Hospital José Nailson Moura informou à família que Genivaldo chegou morto. Ele era casado e tinha um filho.

Diante de fatos tão explícitos, direciono meu texto agora não à evidente crueldade da ação, não ao comportamento truculento dos policiais que sequer foram afastados de suas funções, mas, sim, ao mais novo episódio que escancara a banalização completa do assassinato de cidadãos brasileiros.
Nesse contexto, algumas pessoas desprovidas da capacidade de raciocínio tentam estabelecer uma falsa simetria. Pela manhã, comentei a notícia em minhas redes sociais e logo surgiu esse comentário: “Na semana passada, dois policiais federais foram mortos e não vi sua indignação por isso. Todas as vidas são importantes”.

O argumento da suposta “indignação seletiva” é típico por parte daqueles que, guiados pelo próprio umbigo, medem o mundo acreditando que ele é do tamanho de sua bolha. Até porque se fôssemos nos indignar com tudo que está de errado no Brasil e no mundo, a única consequência possível seria um infarto. Mas é pior. Essa ideia serve para mascarar o real sentimento de parcela da população para com os mais pobres e desprotegidos: a indiferença.

Fui até didático com o meu interlocutor, quase desenhando. Um policial deve ser valorizado, bem remunerado e instruído, mas nem toda atenção do mundo vai livrá-lo do fato desta ser uma carreira de alta periculosidade, inerente ao risco. A morte de policiais é lamentável e deve ser combatida, mas não tem relação alguma com o caso em questão, um cidadão com esquizofrenia morto com requintes de crueldade.

“Vitimismo estrutural”, disse o acéfalo que finge não saber o real papel das forças de segurança. A retórica rasa serve de guarida para quem representa o atraso, gosta da barbárie e se vê representado na truculência.

Já imobilizado, Genivaldo não oferecia risco algum para os três policiais que aparecem na cena. Mas morreu. Nós, brasileiros, também estamos amarrados, presos, sufocados. E corremos risco semelhante, com causa diferente: a morte pela ignorância.

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