Fabio La Selva, líder de Learning do Google Cloud Latam
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Fabio La Selva, líder de Learning do Google Cloud Latam

A corrida pela inteligência artificial ganhou um novo capítulo no Brasil. Um ano após anunciar o compromisso de capacitar 1 milhão de brasileiros para a economia tecnológica, o Google Cloud Latam oficialmente triplica essa meta. A empresa revelou, durante o Web Summit Rio 2026, que vai treinar 3 milhões de pessoas em inteligência artificial e computação em nuvem nos próximos anos. 

A iniciativa é resultado, segundo a companhia, da aceleração dos investimentos em programas de treinamento e o avanço da adesão dos brasileiros às iniciativas de qualificação e capacitação tecnológica.

Para Fábio La Selva, líder de Learning do Google Cloud para a América Latina, a expansão da meta reflete uma mudança de comportamento do mercado e a necessidade crescente de desenvolver novas competências profissionais.

"Hoje, independentemente da área de atuação, as pessoas precisam entender como utilizar a inteligência artificial para ganhar produtividade e criar novas oportunidades. O que estamos vendo é uma transformação que não se limita ao setor de tecnologia", afirma.

Segundo o executivo, o objetivo não é apenas formar especialistas em IA, mas democratizar o acesso ao conhecimento para profissionais de diferentes áreas.

A inteligência artificial já faz parte do cotidiano das empresas. Quem entende como utilizar essas ferramentas terá uma vantagem competitiva importante no mercado de trabalho Fábio La Selva, líder de Learning do Google Cloud para a América Latina



Capacita+ volta em setembro

Dentro dessa estratégia mais ampla, o Google Cloud confirmou uma nova edição do Capacita+, iniciativa de treinamento em inteligência artificial e computação em nuvem que ganhou destaque em 2025 ao entrar para o Guinness World Records como a maior aula híbrida e simultânea de IA já realizada.

A edição deste ano está marcada para 25 de setembro, durante o Google Cloud Summit Brasil, em São Paulo, e tem a meta de capacitar 200 mil pessoas em um único dia. O programa contará com atividades presenciais e transmissão online realizada em parceria com mais de 100 universidades brasileiras.

Sobre a edição deste ano, La Selva  adianta que ela vai além do básico apresentado no ano passado. "Esse ano, entendemos que vamos dar um passo a mais, vamos começar a falar um pouquinho mais de  inteligência artificial  intermediária, uma vez que entendemos o que é prompt, como eles funcionam, como começamos a criar coisas por meio da IA", diz, sem detalhar mais por enquanto.

La Selva destaca que o Capacita+ é apenas uma das frentes que compõem o compromisso dos 3 milhões de brasileiros capacitados. "O Capacita+ é um momento de grande mobilização, mas faz parte de uma estratégia contínua. Temos cursos gratuitos em português, programas de certificação, iniciativas com universidades e comunidades de desenvolvedores. O compromisso de capacitação acontece ao longo de todo o ano", explica.

Do Guinness à nova fase

Em dezembro de 2025, o Capacita+ reuniu mais de 200 mil participantes em nove países da América Latina e teve como foco a capacitação em inteligência artificial generativa por meio do programa "Líder em IA Generativa".

Os participantes receberam treinamento sobre o uso do Gemini, modelo de IA do Google, além de aplicações em ferramentas como Google Workspace e NotebookLM.

O resultado reforçou uma estratégia que tem sido construída pelo Google Cloud na América Latina. Desde 2023, a empresa mantém parcerias com cerca de 500 universidades na região, sendo 140 delas no Brasil.

Formação para um mercado em transformação

Para o Google Cloud, a ampliação dos programas de qualificação acompanha uma transformação profunda do mercado de trabalho. Durante a entrevista, La Selva destacou que a velocidade das mudanças tecnológicas exige atualização constante das habilidades profissionais.

"Não estamos falando apenas de aprender uma nova ferramenta. Estamos falando de desenvolver uma nova forma de trabalhar. A inteligência artificial  tem mudado processos, profissões e modelos de negócio", afirma.

Para  La Selva, um dos maiores desafios de qualificação no Brasil é a falta de conexão entre a formação acadêmica e as demandas reais do mercado. É por isso que o  Google Cloud aposta em parcerias com instituições de ensino — oferece a plataforma  Google Skills  sem custo para instituições de ensino, com mais de 700 trilhas de conteúdo, que inclui uma voltada a iniciantes em IA.

"A plataforma cria um ambiente que simula nossos produtos e soluções, para que o estudante tenha essa experiência de mercado antes mesmo de entrar na empresa", explica.

Segundo ele, a principal preocupação não deve ser a substituição de profissionais pela tecnologia, mas a falta de preparo para utilizá-la.

Os profissionais que aprenderem a trabalhar com inteligência artificial estarão mais preparados para as oportunidades que surgem. A capacitação é o caminho para reduzir essa distância entre tecnologia e mercado de trabalho Fábio La Selva, líder de Learning do Google Cloud para a América Latina



O impacto: PIB, empregabilidade e job fair

Questionado sobre o impacto da meta de 3 milhões de capacitados, La Selva cita uma pesquisa que estima que reduzir o gap de talentos em tecnologia poderia gerar um crescimento de 1,7% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

Além do impacto macroeconômico, ele destaca o papel direto da capacitação na vida dos profissionais formados pela ação. O time de Learning do Google Cloud atua em duas frentes: capacitar o estudante para o mercado e conectá-lo a oportunidades reais por meio do Job Fair, uma feira de empregos promovida a cada seis meses. A iniciativa reúne formados nos programas da empresa com clientes e parceiros do Google Cloud que estão em busca de talentos em nível júnior, estágio e trainee.

Segundo La Selva, o feedback das empresas contratantes tem sido "100% positivo".


Com a nova meta de 3 milhões de brasileiros capacitados, o Google Cloud reforça sua aposta na formação de talentos como peça central para a expansão da inteligência artificial no país, em um momento em que empresas, universidades e profissionais buscam se adaptar às exigências da economia digital.

"Assim como a internet, que há 20, 30 anos, ditou uma nova economia, um novo estilo de vida, a inteligência artificial e as novas tecnologias fazem isso hoje", afirma. "Sabemos que quem vai ditar esse mundo são as pessoas que estão aprendendo tecnologia hoje. É bem importante estar o mais conectado possível com o aprendizado e a capacitação nessas ferramentas, com ética e com propósitos positivos — porque isso vai desenhar o mundo que a gente vai viver", conclui La Selva.

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