Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB)
Agência Brasil
Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB)

Um discurso bem ensaiado, a jogada de marketing em rede nacional, o momento oportuno, o programa de TV apropriado e o público alvo, o cenário político ideal, a chance eleitoral. Tudo se encaixa no contexto da revelação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), de que é homossexual – Em Brasília todos sabiam, mas a população não, e isso interessa ao grupo político e a um consórcio de grandes empresários que aposta numa terceira via contra o presidente Jair Bolsonaro e contra Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral de 2022.

A aposta, por ora, é na imagem de bom rapaz – como candidato ou vice de um nome viável. Até o dia da entrevista, uma quinta-feira à noite, foi escolhido para monitorar os humores do mercado na Bovespa na sexta-feira. As próximas pesquisas mostrarão se Leite estará no páreo.

A Coluna já revelou há meses que tem as duas mãos e os 10 dedos do deputado Aécio Neves nesse pré-lançamento de Eduardo Leite. Seus prepostos do PSDB o convenceram.

No dia 26 de maio, Leite esteve com Aécio a portas fechadas na Câmara. O PSDB conseguiu blindá-lo na CPI da Pandemia, o que seria um risco para seu projeto eleitoral.

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O presidente Bolsonaro indica, entre portas, que o governador gaúcho usou o dinheiro enviado pelo Governo federal contra o Covid-19 para quitar folha salarial. Leite nega.

Cautela e medo

Como presidenciável, Eduardo Leite foi pioneiro num meio político onde outros gays têm medo de se declararem. Para citar dois casos, um ex-governador hoje parlamentar, e um presidente de partido são homossexuais não-declarados. Perderam o timing de se pronunciarem em defesa da minoria e da bandeira dos direitos humanos. Se revelarem agora, palmas!, Mas serão provocados como oportunistas após o silêncio de anos.

Caso Leite se viabilize dentro do PSDB, o governador de São Paulo, João Dória Jr, terá de buscar outro partido a tempo se quiser se lançar ao Palácio do Planalto. Hoje, já está difícil para Doria no ninho tucano, onde ele não tem delegados suficientes para indicação de seu nome numa convenção.

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