Bolsonaro
Agência Brasil
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Foi-se o tempo em que, de posse da caneta dentro de um cubículo de papelão, o eleitor sentia-se livre para manifestar suas fantasias eleitorais. Então, ciente de que só um santo concebe um milagre e que é impossível a presença de um político metafísico neste mundo, o cidadão não titubeava em rabiscar a cédula: “Deus para presidente!”.

Isso, quando não chateado pela consumação de um feriado sem graça, mandava todos os postulantes — a qualquer cargo — para um lugar comum, menos para os palácios de governo. E, quando confuso com tantos números a decorar, mandava um “Deus salve o país!”. É evidente que a implantação da urna eletrônica há 25 anos não foge à democracia.

Tem-se o direito ao voto — agora pelo teclado — ou à justificativa da ausência dele, mas a máquina cheia de números suprime, de certa forma, a liberdade de pegar numa caneta e opinar no papel sobre a postura de um candidato. Mandar alguém para Brasília, democraticamente, ou para o Afeganistão, discretamente.

Nos 25 anos da urna eletrônica completados ontem, o TSE deixou recado entrelinhas, no seu portal, ao presidente Bolsonaro: de que voto impresso já era.

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