Esquerda x Direita: origem das expressões políticas
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Esquerda x Direita: origem das expressões políticas

Encerrando essa nossa série, chegamos ao movimentado ano de 2026. A esquerda tinha a tranquilidade de um candidato mais do que definido e no poder: Lula. A direita vivia uma indefinição entre Zema, Caiado, Tarcísio e alguém do clã Bolsonaro, e aí poderia ser Michele, Eduardo, Carlos ou Flávio.

O PL resolveu bancar Flávio e as alianças para o primeiro turno fracassaram. O único a recuar foi Tarcísio de Freitas que permaneceu em SP e se deu bem: eleito no primeiro turno com uma expressiva votação e, ainda mais, contra uma figura expressiva da esquerda, Fernando Haddad.

Sobrevindo o primeiro turno em 4 de outubro, a sensação foi de surpresa, à direita, mas de modo especial à esquerda. Flávio Bolsonaro -- que alguns diziam não ter chances -- teve mais votos que Lula e por pouco não ganhou no 1º turno.

O ambiente na esquerda é de um misto de desespero com esperança, em igual proporção. Analisando objetivamente, Lula praticamente não fez campanha no primeiro turno e falhou, muito, em não dar atenção ao sudeste, onde teve a mais expressiva derrota para seu adversário. Em 2022, MG deu vitória a Lula contra Jair Bolsonaro. Agora em 2026 a situação se inverteu a favor de Flávio.

Lula e o PT estão colhendo o resultado de uma sucessão de erros. Como já dissemos antes, a sociedade brasileira mudou e o "pobre periférico" também mudou. Os jovens desses locais já não sonham em ser CLT, como a esquerda ainda acredita, mas muitos partiram para um microempreendedorismo. E isso já não é só sobrevivência, mas também realizar sonhos.

Assim, uma moça abre um pequeno negócio de unhas, sobrancelhas e apliques de cabelo numa garagem; um rapaz compra ou aluga um carro e vai trabalhar com aplicativo; um terceiro oferece serviço de buffet; outro ainda faz dedetização com a ajuda de sua família. A esquerda, contudo e de modo pejorativo, os nomeia se "CEO de MEI", desqualificando o exercício dessa opção. A direita, ao contrário, acolhe e promete facilitar a vida dessas pessoas.

O segundo turno vem aí, daqui a exatos dois dias, e não sabemos o resultado. Flávio tem alguma vantagem, mas Lula tem a máquina pública nas mãos e uma militância aguerrida, disposta a virar o jogo. O desfecho só saberemos dia 25 de outubro. Ganhe quem ganhar, já é uma eleição marcante na história do Brasil.

A questão é que o resultado das urnas não conseguirá, seja lá quem for o vencedor, apaziguar os ânimos e conciliar o povo de um modo geral. O clima de "fla-flu" seguirá seu curso, talvez até com mais força do que estamos assistindo, e os desdobramentos disso são inclusive insondáveis ou quase isso.


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