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A esquerda no Brasil, de modo especial o PT, que está no poder há tantos anos, teve dois momentos claros de ruptura: impeachment de Dilma em 2016 e eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

A saída de Dilma escancarou o peso das forças políticas tradicionais no Congresso Nacional e como a ausência de articulação política com essas forças pode custar caro a um governante. O vice de Dilma, Michel Temer, assumiu e em boa medida pavimentou o que estava por vir.

O pleito de 2018 foi ao mesmo tempo, um momento de baixa para a esquerda -- especialmente com Lula preso -- e as ascensão de Jair Bolsonaro, representando um movimento inédito: uma direita de extrema objetividade e simplicidade em suas proposições, com frases de efeito e jargões de fácil entendimento -- "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", por exemplo -- atraiu um eleitor médio desgastado, descrente e desmotivado com um cenário pós Lava-jato e pós impeachment.

Além do acima indicado, Bolsonaro trouxe a religião para o campo político, bem como um conservadorismo bastante tradicionalista. Seu perfil de antigo militar, somado ao seu linguajar simples e direto, criou um carisma muito forte em torno de sua figura como líder político.

2022, contudo, marca a volta do PT e de Lula ao poder. Mas o país já não era o mesmo de 2002 e, na verdade, já não era nem o mesmo de 2018. Uma pandemia inédita tinha marcado presença em 2020-2021 e, para completar o cenário de novos desafios, logo após a posse de Lula, em 8 de janeiro de 2023, uma manifestação popular toma a esplanada dos ministérios em Brasília, o quebra-quebra é generalizado e centenas são presos. Eram os chamados atos anti-democráticos.

Outro elemento importante foi o do STF, exercendo uma espécie de onipresença em relação a todo o tipo de questão, bem como aplicando medidas de força como prisões e retirada de perfis de redes sociais, tendo no Ministro Alexandre de Moraes seu grande protagonista. Jair Bolsonaro acaba preso por tentativa de golpe e o STF como um todo fica, de forma justa ou não, associado à esquerda.

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