É voz corrente, até junto à esquerda, que Lula não é o que se pode nomear de um gestor austero. Realmente não é o caso. Ao contrário, nosso presidente sempre exalta a necessidade de o Estado aportar mais e mais recursos nas mais variadas áreas.
Duas frases suas sintetizam bem sua aversão à modicidade nos gastos públicos: “toda vez que se fala em austeridade, pobre fica mais pobre e rico fica mais rico" e “o modelo da austeridade não deu certo em nenhum país do mundo".
Contudo, países desenvolvidos contradizem o líder máximo da nação brasileira. O Japão, integrante do G8, é famoso pela educação econômica de seu povo e via de consequência do estado. Recursos ali não faltam, mas nem por isso são gastos à larga, como em terra brasilis.
Também os países nórdicos, modelos de bons serviços públicos, são extremamente austeros na gestão dos recursos que, afinal, são arrecadados da sociedade via tributação.
Se o governo federal não vê vantagem ou benefício na moderação de seus próprios gastos, por que teria outra visão em relação às empresas estatais? Claro que a concepção é a mesma. Contudo, uma empresa estatal é ainda uma empresa, precisa ser bem gerida e dar lucro.
Contudo, a caótica situação financeira dos Correios trouxe à tona uma situação longe de estar adstrita à empresa responsável por entregas e correspondências (e uma das mais antigas do Brasil).
Dados do Banco Central mostram que, durante o terceiro mandato de Lula como presidente, em todos os quatro primeiros meses do ano as estatais federais registraram déficit: R$ 1,842 bilhão em 2023, R$ 1,678 bilhão em 2024 e R$ 2,73 bilhões em 2025. Só em abril de 2025, o déficit foi de R$ 1,4 bilhão, também o pior resultado da série histórica para o mês em questão
Uma empresa estatal deficitária indica ou má gestão ou direcionamento de seus resultados para o seu maior acionista, o Estado. Ou os dois. Há motivos ou razões mais específicas, ligadas, contudo, a esses dois pontos ora expostos.
Entre os especialistas, os motivos mais frequentemente mencionados para justificar esse quadro de deterioração das contas dessas empresas se relaciona com escolhas equivocadas de investimentos, aumento de gastos sem o planejamento adequado e uso político das estruturas dessas empresas, especialmente via nomeações de perfis estritamente políticos com pouco ou nenhum conhecimento técnico.
O PT se viu envolvido no escândalo da Operação Lava-Jato e ao menos um dos motivos desse envolvimento se prendia à má-gestão de empresas públicas (vide Petrobrás) e desvio de recursos públicos, ou seja, corrupção.
Estamos assistindo a uma espécie de reprise desse escândalo? O tempo dirá. De todo modo, mesmo que não exista corrupção, vendo a postura de Lula, é impossível não lembrar do velho dito popular: “o lobo perde o pêlo, mas não perde o vício”.

