Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda
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Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda

Amigo leitor, a novela em torno do Bloco de Esquerda continua a dar o quer falar, especialmente entre os bloquistas mais chegados à líder Catarina Martins.
Depois da reunião em que o partido aprovou o programa eleitoral e as listas do partido às eleições legislativas, a lua de mel entre os líderes do BE, começou a colapsar.

Por quê?

Acontece que, mesmo antes das votações, elementos das moções E e N abandonaram a reunião da Mesa Nacional, em protesto por aquilo que definiram como sendo uma “votação anti-estatutária” de listas às eleições legislativas.

Não esquecer que as eleições para as legislativas são no dia 30 de janeiro de 2022.

Não é, no entanto, a primeira vez que se verificam conflitos internos no Bloco de Esquerda.

Em 2019, por exemplo, um grupo de 25 bloquistas anunciou a saída do partido por considerar que “pouco resta do projeto original”. Esse grupo criticava “o caminho de institucionalização” que o Bloco de Esquerda tinha tomado e a transformação do partido “num projeto reformista centrado na sua própria sobrevivência”.

Carta essa assinada por 25 pessoas, incluindo os irmãos do antigo líder bloquista Francisco Louçã, Isabel Louçã e João Carlos Louçã.
Os elementos das moções E e N alegaram como razão de “baterem com a porta” o seguinte:

“Essa proposta foi chumbada, a Mesa Nacional decidiu fazer o que faz sempre: votar todas as propostas que vêm dos plenários distritais e, quando é caso disso, votar em alternativa outras propostas que sejam feitas por pessoas que estão presentes na Mesa Nacional e da Comissão Política. Mantivemos o método de votação de sempre e esses camaradas decidiram não participar na votação”.
As votações, garantiu Catarina Martins esta semana aos órgãos de comunicação, continuaram com “toda a normalidade”, com 70% da Mesa Nacional presente.

As listas “são diversas e são plurais” e “representam as várias sensibilidades” do partido, concluiu.

“Mas um grupo parlamentar deve sobretudo ter aquelas vozes que podem fazer a diferença na atividade setorial e que são representantes em todo o país das lutas do Bloco de Esquerda”, argumentou a líder bloquista Catarina Martins, afirmando que, “muito para lá das sensibilidades” bloquistas, os candidatos escolhidos “podem ser as vozes nas áreas fundamentais e juntar nomes independentes”.

Mas para os descontentes do Bloco de Esquerda a alegação é que a esquerda que varreu o projeto revolucionário para debaixo do tapete, numa tentativa de ganhar respeitabilidade, não será assim tão diferente da esquerda que dele abdicou há muito.

“Para nós, a militância no Bloco de Esquerda acabou. Começamos de novo quando ainda está tudo por fazer", concluem os signatários das moções E e N.
Os agora ex-bloquistas fazem ainda acusações de manipulação de eleições internas, perseguição e expulsão de membros do partido. Caça às bruxas.
As Listas de toda esta polêmica, “porque a lebre não é de agora…” é a E e a N.
A moção enviou um comunicado às redações, referindo que “em causa está a apresentação de uma lista alternativa à sufragada pelas/os militantes do distrito de Santarém, numa tábua rasa à decisão do órgão competente regional”.

A moção E recusou-se a “participar numa proposta viciada de ilegalidade e exigiram a retirada da lista B por Santarém, versada na proposta a sufrágio na Mesa Nacional”, refere o mesmo comunicado, onde a mesma moção afirma que “votar numa proposta desta natureza é ser conivente com o incumprimento estatutário e é rasgar a democracia interna”.

“Nenhuma candidatura pode ser agregadora e mobilizadora se parte do incumprimento da vontade expressa das e dos seus aderentes”, continuou a afirmar um dos dissidentes do Bloco de Esquerda.

Acontece que a direção do Bloco pretendia colocar Fabíola Cardoso ao lugar em Santarém, deixando de fora a lista sufragada pelos militantes bloquistas dessa localidade, onde estas vozes críticas do Bloco de Esquerda são suficientes para fazer este “barulho”.

A estrutura bloquista de Santarém propunha o nome de Ana Sofia Ligeiro, que faz parte do Movimento Convergência, para encabeçar a lista. Nome este que venceu a votação local, “seguiu para a mesa nacional e teria de ser ratificada pela mesa, para que fosse efetivada e houvesse essa candidatura”, algo que não aconteceu, conforme explicou à TSF a própria Ana Sofia Ligeiro.

O Movimento Convergência foi, aliás, já polêmico em maio deste ano, parecendo augurar o que viria a acontecer na reunião da Mesa Nacional. Na altura, quando Ana Sofia Ligeiro, apresentava a moção intitulada “Enfrentar o empobrecimento, polarizar à esquerda”, a bloquista alertava para o “perigo de perda de influência política que este partido pode enfrentar em muito pouco tempo”.

A defesa contra este perigo, argumentava, passaria pela “diversidade e a riqueza de opiniões dentro do partido”, e a moção não aceitaria “condicionantes à contribuição para o debate político”, nem que fosse “cortado qualquer direito de opinião, de participação”.

Recorde-se, prezado leitor, que esta mesma moção elegeu, na últimaconvenção, 17 dos 80 lugares da Mesa Nacional.

Os críticos da direção de Catarina Martins no Bloco de Esquerda abandonaram este domingo a reunião da mesa nacional onde se aprovam as listas do partido à Assembleia da República, assinalando que recusam participar numa proposta que dizem estar "viciada de ilegalidade" e exigindo a retirada da lista B por Santarém.

Na origem do abandono das moções E e N está o facto de a direção pretender recolocar Fabíola Cardoso, em vez de aceitar a lista sufragada pelos militantes bloquistas de Santarém, onde as vozes críticas levam vantagem. A estrutura regional propunha o nome de Ana Sofia Ligeiro para encabeçar a lista e acusa agora a direção de “rasgar a democracia interna”.

Numa nota enviada à TSF, a moção E acusa a direção de Catarina Martins de fazer “tábua rasa à decisão do órgão competente distrital”.

“Votar numa proposta desta natureza é ser conivente com o incumprimento estatutário e é rasgar a democracia interna. Nenhuma candidatura pode ser agregadora e mobilizadora se parte do incumprimento da vontade expressa das e dos seus aderentes”, lê-se no comunicado divulgado pelos órgãos de comunicação.

A escolha interna antidemocrática do Bloco de Esquerda foi a seguinte, Catarina Martins será cabeça-de-lista pelo círculo eleitoral do distrito do Porto, e Mariana Mortágua pelo círculo eleitoral do distrito de Lisboa.
De fora das listas ficaram deputados como Luís Monteiro, Jorge Costa e Maria Manuela Rola. Já o eurodeputado José Gusmão representará o Algarve nas próximas legislativas.

É caso para dizer que zangam-se as comadres, descobrem-se as verdade.

No dia 30 de janeiro em Portugal, votar no Bloque de Esquerda é um desperdício. Continuar a votar em tudo o que é esquerda, é continuar a regredir e a deixar um futuro incerto aos nossos filhos e netos.

A Esquerda a nível nacional, digo em Portugal, está falida e obsoleta e com o nosso país irmão o Brasil, é o mesmo.

Os países mais prósperos e menos corruptos do mundo começam a sorrir e a ver o futuro com mais esperança depois de se terem voltado para a direita.

E nós Portugal?!

E nós Brasil! Em que é que ficamos.

Davide Pereira.

Finlândia.

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