Antes de começarmos a interagir no vasto mundo da segurança pública e privada, não poderia deixar de dividir a alegria de ter sido aceito no time de nobres colunistas deste portal. Consolidado e de longo alcance, pesará em meus ombros a complexa missão de proporcionar conteúdo de qualidade e, neste sentido, os trinta e cinco anos servindo a sociedade paulista nas fileiras policiais acredito possuir a matéria prima necessária. Coragem para falar não me faltará.
Não é segredo que o assunto segurança está entre os trending topics das notícias e anseios dos brasileiros. A sensação, apesar de ser algo extremamente pessoal, tem sido compartilhada da mesma forma entre os diversos nichos sociais. Não raramente nos deparamos com conversas informais dando conta da insatisfação e medos cotidianos. No que se refere aos índices criminais, não podemos descartar o êxito, espalhado aos quatro cantos no Estado de São Paulo, alcançado na redução dos números de homicídios. O feito é tão significativo que coloca um Estado de proporções continentais em números e problemas, no mesmo patamar de cidades de países muito à frente da nossa cultura. Também é fato que, estados onde as organizações criminosas tornam-se hegemônicas, a ausência de disputa por território implica em diminuição de confrontos e consequentemente redução de mortes.
Sabemos que em outros estados da federação, tanto as ações das polícias para a redução nos índices de homicídios quanto a existência de facções criminosas em conflito, não estão colaborando para o atingimento das marcas tão comemoradas pelos gestores paulistas.
Levando em consideração a narrativa trazida, seria correto afirmar que no quesito “sensação de segurança”, teríamos que concluir que em São Paulo (case de sucesso) a realidade deveria combinar com a comemoração, porém nas ruas atestamos que a sensação é de insegurança.
Porque este sonho, tão sonhado, infelizmente não é confirmado na prática. Qual o motivo do case de sucesso não alterar este status ?
O medo, oposto da sensação de segurança, é muito mais abrangente do que sentir que não está com a vida em risco. O medo também passa por questões mais cotidianas, patrimoniais, locomoção, relações pessoais e liberdades individuais.
Aquela mãe que diariamente fica aflita com a possibilidade do seu filho ser espancado após um desentendimento com colegas da mesma idade na porta da escola, o pai que passa horas pensando no trajeto que o filho faz com o veículo em locais constantemente alvo de programas policialescos, a eterna dúvida de onde, como e com quem.
Neste sentido, vários outros índices criminais e até mesmo não criminais, ainda carecem muito do esforço hercúleo da sociedade para que o sonho seja atingido.
Crimes patrimoniais, sexuais e contra a integridade física que não compõem o (IMV) Mortes Violentas Intencionais, homicídios por cem mil habitantes, sustentam a eterna sensação de insegurança.
Investimento em tecnologia tem se mostrado uma ferramenta eficiente para a diminuição da audácia criminosa e, o que anteriormente era um trânsito livre agora exige cautela com as milhares de câmeras munidas de inteligência artificial.
Polícias mais bem equipadas, com maior conhecimento e valorizadas atingem números cada vez maiores de prisões e ações em prol da sociedade, afastando o discurso depreciativo.
A velocidade e proliferação dos canais de comunicação são novidades cuja consequência mais benéfica tem sido a abertura dos olhos e escolha pelas narrativas mais justas, os verdadeiros responsáveis pelos atos que não mudam o status ficarão mais e mais expostos.
O futuro, mesmo que distante, irá pertencer aos que lutam pelo bem comum.
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