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Há uma certa comoção em boa parte da sociedade brasileira que, cada vez mais, segue constrangida com os vexames diários provocados pelo Presidente e seu grupo. É humilhante constatar o ridículo a que estamos sendo submetidos. O ministro do Turismo, em seu Twitter oficial, postou uma montagem falsa da capa da revista norte-americana “Time” com a notícia de que Bolsonaro seria candidato ao prêmio Nobel da Paz por sua “atuação” no conflito entre Rússia e Ucrânia. Seria cômico se não fosse trágico!

A viagem a Moscou rendeu milhares de posts ridicularizando o Presidente da República. O que devemos refletir é o quanto essa banalização do ridículo desfavorece o próprio Bolsonaro. Devemos pensar que, a esta altura, quem ainda apoia esse desqualificado concorda com os desmandos por ele coordenados. São cúmplices da tragédia nacional que levou o Brasil a este estado deplorável. 

Na verdade, o que sempre me inquietou é que Bolsonaro não mentiu sobre quem ele era quando foi candidato, nem durante a sua vida. Sempre assumiu ser um canalha misógino, racista, amante da morte, completamente ignorante, despreparado, cultor da tortura e tudo o mais que representa o esgoto da alma humana. E teve 57 milhões de votos gabando-se de ser repugnante. É claro que usou todos os meios inimagináveis para chegar ao poder. Inclusive a disseminação, sem nenhum pudor, de fake news. 

Os bolsonaristas têm como estratégia viver no mundo falso que criaram, de onde seguem destruindo reputações. Estabelecem pontes com o neofascismo e com grupos que se dispõem a detonar todas as conquistas humanistas conseguidas em décadas de história. 

Perdemos a credibilidade internacional, o brio e o amor-próprio. Até das nossas cores os fascistas se apoderaram. Viramos um país vazio, no qual a imensa maioria se porta de maneira absolutamente indiferente com a dor do outro, com a fome de 20 milhões de brasileiros, com o desespero do desemprego e com a vida, enfim.

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Por isso, proponho esta reflexão: será que não estamos fazendo o jogo desse bando? Ao alimentarmos as milhares de fake news criadas diariamente, ao divulgarmos e, de certa forma, polarizarmos os absurdos criados por eles, nós estamos dando corda a esse grupo de celerados. É difícil lidar com quem não tem ética e nem limites. Não podemos usar a nossa régua com quem despreza absolutamente qualquer critério civilizatório.

Estamos no ano da eleição que pode ser a mais importante da história. Não podemos perder! O Brasil não pode perder. Até por isso, fizemos - intelectuais, artistas e advogados - um manifesto pelo Brasil, conclamando a todas as pessoas lúcidas e minimamente éticas a votar no Lula no primeiro turno. Nesse momento, devemos superar a questão partidária e tentar ganhar sem dar chance de um segundo turno com os fascistas.

Eles alimentam-se da própria merda que criam abundantemente. Fortalecem-se com métodos antiéticos que não sabemos enfrentar. É necessário fazer de cada dia um dia dedicado a conseguir desmascarar toda essa hipocrisia. Não ganhamos ainda. Se partirmos do princípio que já ganhamos, perderemos.  E o Brasil não suportará um outro governo Bolsonaro. E não devemos nos esquecer do que disse Nelson Rodrigues: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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