Dados sobre desmatamentos são do Inpe
Marizilda Cruppe/ Amazon Watch/ Amazônia Real
Dados sobre desmatamentos são do Inpe

Os dados que indicam uma alta de 22% no desmatamento amazônico entre 2020 e 2021 são de antes do começo da COP 26 (Conferência do Clima da ONU), mas só foram reveladas após o evento.

A imprensa internacional deu grande destaque aos dados sobre a maior destruição da Amazônia desde 2006m

Foram desmatados 13.235 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2020 e julho de 2021, segundo números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Os dados que apontam uma alta de 22% no desmatamento, entre 2020 e 2021, são de 27 de outubro último, portanto, de antes do início da COP 26.

O Brasil foi um dos países que prometeu acabar e reverter o desmatamento até 2030 durante a Cúpula do Clima.

A Amazônia abriga cerca de três milhões de espécies de plantas e animais e um milhão de indígenas e é um estoque de carbono vital que diminui o ritmo do aquecimento global.

Esse relatório anual do INPE mina as garantias de que o Brasil está restringindo a extração ilegal de madeira.

A área desmatada corresponde a 17 vezes o tamanho da cidade de Nova York e projeta a imagem de que as autoridades brasileiras não levam a sério a proteção da Amazônia.

A credibilidade ambiental brasileira foi mais uma vez desmentida pelo fato.

Esse desmatamento está se acelerando é a maior floresta tropical do mundo continua encolhendo apesar das promessas governamentais.

A política adotada por Brasília consiste em enfraquecer a vigilância florestal substituindo ambientalistas por militares nos órgãos encarregados da proteção do meio ambiente e lembra a promessa de não demarcar terras indígenas.

O Brasil passou de aluno exemplar a vilão ambiental em poucos anos.

O quadro, somado ao enfraquecimento dos negociadores brasileiros na atual era, levará o Brasil a ter mais dificuldades frente ao estrangulamento crescente de nossos mercados em decorrência, por exemplo, da declaração conjunta entre Estados Unidos e China, que pode vir a apertar o cerco sobre a agropecuária e a mineração com mecanismos de rastreamento.

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Dizer que toda essa conversa ambiental sobre o Brasil é notícia falsa, como em Dubai, não convence mais ninguém.

Governadores, entidades ambientais, empresários e o que sobrou da diplomacia brasileira, depois de 27 meses do deschanceler, salvaram a participação oficial do país em Glasgow, da catástrofe.

O Brasil não recuperou a posição que tinha antes, continua com uma imagem muito abalada.

O Consórcio Brasil Verde apresentou-se, em Glasgow, como a iniciativa brasileira mais consistente.

Articulado por 25 governadores, o Consórcio instituiu um fundo único de investimentos para captar recursos de financiamento climático para a redução de emissões e incentivo à geração de energias renováveis.

O consolo é que podia ser pior o resultado da COP 26. Era o que se observava com a ausência dos presidentes da China e da Rússia.

Sem sair da China, há 21 meses, por conta da polícia da Covid-zero, Xi Jinping não enviou sequer um vídeo com os compromissos do seu país, como fizeram outras lideranças.

Se é a economia que mais tem a ganhar com a inversão ambiental, por ser o maior fabricante de equipamentos para energia renovável no mundo, a China tem também uma velocidade de adaptação a ser regulada por ambições políticas de seu dirigente máximo.

Neste novembro, o Partido Comunista Chinês se reúne para seu vigésimo congresso a fim de confirmar o terceiro mandato de Xi Jinping. Pelo preâmbulo da resolução do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, durante a COP 26, não ficou dúvida de que é o que acontecerá na China.

O cálculo político e a aparente soberba, no entanto, não impediram o diálogo entre Estados Unidos e a China, mesmo quando o estabelecimento da política externa de Washington já decretava uma nova Guerra Fria em Pequim tamanha é a importância da preservação ambiental.

Brasília, mais uma vez, ficou isolada nessa conversa em razão da nossa marginalização política tanto nos Estados Unidos quanto na China, sem falar na União Europeia.

O Brasil segue pressionado pela comunidade internacional, pelos aumentos na destruição das florestas nativas do país.

Para cientistas e ambientalistas, o acordo de Glasgow foi tímido e não serve para frear as mudanças climáticas que ameaçam o planeta.

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