Embaixador Cesário Melantonio Neto
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Embaixador Cesário Melantonio Neto

A capacidade do Executivo Federal de criar propositalmente crises artificiais para encobrir seus erros parece inesgotável e nos faz viver em tempos sombrios.

Com todos os seus recursos naturais e humanos, o Brasil segue em processo de subdesenvolvimento e ainda temos pela frente 16 meses de mandato.

O Brasil permanece, portanto, refém nesse período do temperamento mercurial e desequilibrando do atual ocupante do Planalto. A gravidade da crise política, Institucional, Econômica e social e inegável, e preocupa profundamente todos os brasileiros.

As bravatas mais revelam fraqueza e medo do que força, mas impedem o progresso nacional. A imaturidade política do chefe do executivo federal é irremediável, e pode nos conduzir a um sério impasse institucional.

O hábito de chamar de idiota quem critica o desgoverno, ou cobrar medidas necessárias mostra a fragilidade mental e intelectual de quem manda todo mundo comprar um fuzil ao invés de comprar feijão.

O desespero pelo fracasso governamental está levando os pobres a se alimentarem de sobras no país do agronegócio.

A perda de autoestima do Brasil, interna e externamente, afeta todos os aspectos da vida nacional. O mundo inteiro vê a  Amazônia e o Pantanal derrubados e incendiados como consentimento e o entusiasmo do desgoverno, que destrói as riquezas nacionais.

Apenas um quarto da nossa população foi completamente imunizada, a variante Delta do coronavírus está em acelerada multiplicação e o presidente da República acha aceitável e normal haver mais de 578 mil pessoas mortas pela pandemia. E pior - como se já não fosse pouco, tentou com seus amigos e filhocracia transformar a vacinação em negócio para financiar o caixa da reeleição perdida.

O desgoverno despreza a relevância da ciência, da pesquisa, da educação, da cultura e das artes.

Inflação de 8% se afigura extremamente perigosa em uma nação submergida pelo desemprego, pela fome e pela informalidade. A crise hídrica se aproxima para agravar o quadro econômico e será mais um obstáculo a superar nesses tempos sombrios.

A escala autoritária está nos empurrando para o descalabro fiscal com o fim político de tentar mudar o panorama eleitoral em 2022. A espiral de aumento dos combustíveis está deixando em casa o desempregado e o informal, enquanto o Messias dá de ombros para a economia real porque o desgoverno deixou de fazer o seu trabalho.

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O fanfarrão não organiza nada para enfrentar a crise hídrico-energética, pois está muito ocupado com pedidos de impedimento de ministros do Supremo Tribunal Federal.

O novo mantra do desgoverno agora é a organização, no 7 de setembro, de manifestações para provocar a depredação ou a invasão das sedes dos demais Poderes. A instalação de balbúrdia no país parece ser a única pauta prioritária do programa messiânico.

A ofensa às empregadas domésticas, aos filhos de porteiros e aos pobres em geral parece ser o discurso principal diário do Ministério da Economia, que debocha regularmente de quem sofre pelos devaneios da incompetência e insensibilidade social do ocupante atual da pasta.

A conversa fiada não convence a mais ninguém, nem no Brasil, nem no exterior, e empurrar os problemas com a barriga, para 2022, e culpar os governos estaduais pela disparada dos combustíveis e preços não vai resolver os graves problemas nacionais.

A combinação de elitismo, insensibilidade social e gosto pela mentira, e a negação de fatos e estatísticas incontestáveis demonstraram a total falta de preparo para o exercício da chefia do executivo federal.

Em tempos sombrios, a falta de respeito pela nação e o seu povo se acentua com o tempo em caso de desgoverno, mas nem por isso a esperança de dias melhores vai abandonar os brasileiros e brasileiras.

A luta contra a alienação mental faz parte desse princípio de esperança contra a filhocracia e o seu aliado, Steve Bannon, que acreditam ser possível manipular 213 milhões de pessoas com notícias falsas e blogs financiados com dinheiro público em mais um crime de lesa-Pátria.

Infelizmente o Afeganistão não está só em Cabul, mas tem raízes igualmente em um setor minoritário e obscurantista da sociedade brasileira, teledirigida por interesses estrangeiros e alheia aos legítimos interesses nacionais.

Um país sem projeto, como é o caso brasileiro hoje, precisa passar a limpo esse período sombrio de nossa história o mais rápido possível e virar a página em 2022.

O projeto brasileiro não pode ser um de família ou filhocracia, fundamentado em objetos pessoais e o aumento da riqueza da tribo.

Golpismo tem sempre muitas faces e uma delas pode ser a convocação para uma guerra civil. A pregação pública de desobediência a decisões do STF faz parte desse roteiro e nenhuma quantidade de evidência vai persuadir um idiota.

Como dizia o velho Sócrates: 'Quem não pensa é pensado pelos outros!'.

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