O que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachi n, deveria ter feito ainda na terça-feira (8) - intervir na decisão de André Mendonça de afastar do cargo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e levar logo o caso para o plenário - o ministro Flávio Dino fez nesta quarta-feira (9).
Fachin poderia também já ter assumido os casos Master e do INSS, que estão com Mendonça, assim como o chamado inquérito das fake news (4.781), sob responsabilidade de Alexandre de Moraes, para tentar conter a crise no Supremo.
Mas, em vez disso, preferiu protelar a crise ao dar 72 horas para Mendonça explicar sobre o pedido feito pela AGU para suspender o afastamento de Rodrigues.
Um prazo considerado longo demais diante das circunstâncias políticas e das consequências de uma decisão açodada, que aprofundou a crise no STF e abriu uma outra, na PF, deixando a corporação acéfala às vésperas das eleições, um momento crucial para o país.
Ainda na terça-feira, 11 diretores da PF colocaram seus cargos à disposição, em solidariedade a Andrei Rodrigues e ao delegado Leandro Almada, diretor de inteligência da corporação, também afastado por Mendonça.
Atropelos processuais
Ao determinar a reintegração dos dois, Flávio Dino citou “atropelos processuais” na decisão de Mendonça e pediu que o caso seja analisado pelo plenário.
Entre os "atropelos" citados por ele está a ilegitimidade do partido Novo para pedir o afastamento de autoridade pública em um processo de natureza criminal.
Dark Horse
Dino mencionou também o prejuízo para investigações em curso, sob sua relatoria (como a do filme biográfico Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro), caso a produção de relatórios de inteligência seja interrompido.
O caso envolvendo o Dark Horse afeta principalmente o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que teve conversas e áudios revelados em maio de 2026 pelo Intercept Brasil mostrando que ele negociava diretamente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o repasse de cerca de R$ 61 milhões (ou US$ 10 milhões) para financiar o filme.
Analistas que acompanham de perto as movimentações na política e no Judiciário vêem sinais cada vez mais claros de que Mendonça estaria atuando politicamente no STF para favorecer um determinado lado político.
Para desestabilizar o processo eleitoral ele inaugurou uma espécie de vale-tudo, aproveitando de suas divergências pessoais com Moraes para tentar bagunçar o coreto na Corte.
Estratégia não funcionou
Vendo que sua estratégia não funcionou, Fachin, finalmente, resolveu agir e cancelou a sessão de julgamentos prevista para esta quarta-feira.
O seu plano é baixar a temperatura na Corte, reduzindo o clima de beligerância que paira entre os ministros.
Por todas as suas implicações e pelo que está em jogo para o país, esse é um caso que, ao que tudo indica, está longe de acabar.