Bandeira de Israel
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Bandeira de Israel


*Por: Marcos L. Susskind
“A mentira dá a volta ao mundo antes que a verdade possa vestir suas calças.”

~Winston Churchill

O mundo em geral — e os criadores de propaganda em especial — devem tirar o chapéu para a máquina de propaganda sobre os palestinos, sejam eles os próprios palestinos, os diversos governos árabes ou islâmicos e os lados extremos da política, tanto a extrema esquerda quanto a extrema direita. Esses grupos têm tido enorme sucesso na propagação de mitos e mentiras que influenciam e cooptam estudantes, jornalistas, governos e sociedades.

Não é a primeira vez que mentiras geram reações extremadas que, mais tarde, se mostram totalmente equivocadas. O caso da Escola de Base, de 1994, em São Paulo, tornou-se um clássico. Os proprietários, um motorista de transporte escolar e um casal de professores foram acusados de abuso sexual contra crianças de 4 anos de idade. Sem provas, mas com notícias diárias cada vez mais incendiárias, a escola acabou fechando, o imóvel foi incendiado, e os proprietários e professores perderam tudo o que tinham em custos judiciais. Quando a verdade apareceu, tudo não passou de uma série de notícias mentirosas levadas ao extremo.

Logo no início do século XVI, Martinho Lutero, ex-monge que fundou o movimento reformista, escreveu:
“Uma mentira é como uma bola de neve: quanto mais você a rola, maior ela fica.”

Ainda sobre a mentira, o teólogo Jonathan Swift escreveu:
“A mentira voa e a verdade vem mancando atrás dela.”

A propaganda anti-israelense usa exatamente da mentira para demonizar Israel, apoiada por uma imprensa ora vendida, ora ideologicamente aliada à esquerda. Este é o fator principal de incitação de massas predispostas a atacar o Estado judeu, e a somatória histórica do antissemitismo se torna fertilizante para tais ações.

Em meu livro “Combatendo o Antissemitismo”, mostro que o ódio aos judeus tem diversos vetores: o social, o religioso, o econômico, o racial e o político-nacional. Há grupos que odeiam judeus por um ou mais desses vetores. A incitação midiática, alimentada por volumosos capitais islâmicos, acaba por transformar absurdas mentiras em “verdade de ocasião”, que passo a analisar.

1. Genocídio

Israel é frequentemente acusado de genocídio, cuja definição é: “extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso”. Será?

Em 1948, durante a Guerra de Independência de Israel, entre 700.000 e 750.000 árabes deixaram Israel. Restaram cerca de 160.000. Hoje, Israel tem 2.100.000 árabes; a Cisjordânia (governada pela Autoridade Palestina) tem 3.100.000 árabes; e a Faixa de Gaza (governada pelo Hamas) tem 2.300.000 árabes.

Ou seja: cerca de 1.000.000 de árabes em 1948 são hoje 7.500.000 — um crescimento exponencial, entre os mais explosivos do mundo, apesar das guerras na região. Esses dados são públicos. Conhecendo-os, como acusar Israel de genocídio?

2. Apartheid

Em Israel vivem 2.100.000 árabes. Há quatro partidos políticos árabes e um número significativo de árabes em partidos políticos de maioria judaica. O Parlamento tem 12 árabes. O sistema judicial conta com muitos juízes árabes e, na Suprema Corte, há juízes árabes muçulmanos.

Não existe sequer um hospital em Israel sem médicos, enfermeiras e corpo administrativo árabes. Árabes são chefes de cadeira em universidades e representam 18,3% do total de alunos nas universidades israelenses — 25% na Universidade Hebraica de Jerusalém. Políticos árabes dirigem 163 prefeituras. São raras as farmácias em Israel sem enfermeiros árabes formados em universidades.

Comparemos com a Cisjordânia. Lá vivem 3.100.000 árabes e 530.000 judeus. Não há sequer um médico judeu em hospitais palestinos, nenhum enfermeiro judeu em farmácias palestinas, nenhum estudante ou professor judeu nas universidades palestinas, nenhum membro judeu no Parlamento palestino e nem se cogita um judeu no sistema judicial palestino. Onde está o apartheid?

3. Limpeza Étnica

Os dados do item 1 mostram a absoluta falsidade da alegação de “limpeza étnica”. A atual guerra em Gaza gerou, segundo o Hamas, quase 60.000 mortes de palestinos — das quais 25.000 seriam de terroristas.

Já em Darfur, 60.000 indivíduos não árabes foram massacrados no mesmo período, com a intenção declarada de extinguir a presença de não árabes no território. E não me lembro de passeatas, pichações, artigos ou revoltas contra o que ocorre em Darfur — lá, sim, uma limpeza étnica.

4. Colonialismo

Designar Israel como “colonialista” é historicamente impreciso e serve para deslegitimar sua existência. Há uma presença judaica histórica, religiosa e arqueológica contínua que abrange quase 3.000 anos.

Nenhum judeu chegou a Israel como membro de um exército imperial ou colonial, mas aderindo ao sionismo, um movimento de libertação nacional que busca a autodeterminação do povo judeu em sua terra ancestral. A clássica exploração de riquezas locais, característica de países imperialistas, jamais ocorreu em Israel — até porque o país não possui ouro, petróleo, prata, minerais raros nem uma população numerosa para servir como mão de obra barata.

Fica claro que as alegações carecem totalmente de fundamento. Ainda assim, um imenso número de pessoas sem conhecimento adere às mentiras por acreditarem tratar-se de verdade.

Como disse o escritor norte-americano Stephen King:
“A confiança dos inocentes é a ferramenta mais útil do mentiroso.”

E o escritor russo Lev Tolstói afirmou, há quase 200 anos:
“Uma mentira não deixa de ser uma mentira porque a maioria a compartilha.”

Finalizando, cabe lembrar que nenhuma das alegações acima é feita por soldados no campo de batalha. George Orwell, o autor inglês de “A Revolução dos Bichos”, deixou-nos o seguinte pensamento:

“Toda a propaganda de guerra, todos os gritos, mentiras e ódio vêm invariavelmente de pessoas que não estão lutando.”

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