
Jair Bolsonaro montou um verdadeiro empreendimento familiar ao pavimentar o caminho dos filhos na política.
Antes de ter uma bancada para chamar de sua, ele entendeu que precisava garantir a boquinha (e os funcionários suspeitos de rachar o salário sem precisar trabalhar) em gabinetes para além do Rio de Janeiro, sua base eleitoral. Mandou para Brasília o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, hoje senador, e manteve na coleira o mais verborrágico deles, Carlos Bolsonaro, para cuidar da casinha como vereador.
Eduardo Bolsonaro foi eleito por São Paulo, maior colégio eleitoral do país – e puxador de votos para uma turma que hoje perambula por Brasília graças ao sistema de voto proporcional.
Ganha uma viagem para a Papuda quem lembrar qualquer projeto de relevância de qualquer um deles, mas esta é outra história. Diferentemente de Brás Cubas, Bolsonaro transmitiu ao mundo o legado de sua miséria e mandou a conta para o erário.
O quarto representante do clã, Jair Renan, seguiu os passos dos irmãos e foi eleito vereador em Balneário Camboriú quando não sabia o nome de duas ruas da cidade do litoral catarinense.
Pouco importa: Carluxo talvez não saiba também apontar Santa Catarina no mapa, e isso não impede que a família projete lançar o vereador carioca como candidato a senador em um um dos estados mais bolsonaristas do país.
Mas o plano tem um enrosco dentro de casa.
Michelle Bolsonaro, madrasta dos meninos, defende a candidatura no estado da hoje deputada Carol de Toni, uma parlamentares fiel ao bolsonarismo – mas não a ponto de ceder o assento para um dos filhos do ídolo. Detalhe: todos ali, inclusive Michelle, são filiados ao mesmo partido, o PL.
E por que os dois não concorrem juntos, se são duas vagas em disputa para o Senado? Bem. Uma chapa puro-sangue ali seria complexa porque isolaria o partido e faria um tirar voto do outro. Os adversários agradecem.
Um deles precisa sobrar.
E, como numa peça de Shakespeare, os personagens mobilizam os atos públicos para dar vazão aos afetos instintos pessoais mais primitivos. Carluxo não gosta de Michelle. Michelle não gosta de Carluxo.
E o pai está ocupado demais com uma tornozeleira eletrônica para separar a briga.
Presidente do PL Mulher, a ex-primeira-dama já oficializou o apoio a Carol.
Eduardo Bolsonaro sentiu o golpe e foi a público defender o irmão.
A ceia de Natal da família ficaria bem azeda se tivesse ceia de Natal da família neste ano.
Para piorar, o governador do estado, Jorginho Mello (PL), outro bolsonarista de quatro costados, já indicou que não vai apoiar nem um nem outra. Fará campanha a Esperidião Amin (PP). Parece uma decisão salomônica, mas é só uma forma de amarrar o apoio do Progressistas à sua reeleição e manter o pitbull distante. Nunca se sabe quando ele vai morder as canelas de quem até outro dia chamava de aliado.