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Reprodução/ Melhores Destinos
Grileiros se aproveitam da pandemia para continuar atividades ilegais

Os alertas de desmatamento na  floresta amazônica  bateram recorde no primeiro trimestre de 2020, comparados ao registrado nos últimos quatro anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entre janeiro e março, foram registrados alertas em uma área de 796,08 km², um aumento de 51,4% em relação a 2019 (525,63%). Em 2018, o território sob ameaça abrangia 685,48 km²; em 2017, 233,64 km² e, em 2016, 643,83 km².

Os alertas de devastação da floresta feitos pelo Inpe são realizados pelo sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), municiando operações de órgãos como o Ibama. A taxa de desmatamento é calculada por outro índice, o Prodes, divulgado anualmente.

Desde o ano passado, a queda de operações do Ibama preocupa especialistas e contribui para a tomada de áreas da floresta para atividades ilegais, ligadas principalmente a mineração , especulação de terras e indústria madeireira.

A apuração dos dados do Deter chegou a ser questionada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em março, mesmo com o início da pandemia da Covid-19, as atividades ilegais continuaram ganhando força na mata. Neste mês, os alertas sobre o desmatamento aumentaram 29,9%.

Em entrevista à Época, o cientista sênior do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, Paulo Moutinho, afirmou que o coronavírus não impediria o crescimento de investidas contra o meio ambiente:

— Grileiros e especuladores de terra acham que o risco à saúde vale à pena — disse. — É, para eles, um bom momento para se aproveitar do patrimônio público. Eles colocam algumas cabeças de gado em um terreno, como se dissessem que ali há uma atividade produtiva, e vendem terras que são do poder público. É um lucro fácil.

Veja também:  Vítimas de epidemias passadas, indígenas se isolam e ficam sem rituais

Os madeireiros levaram a Covid-19 às aldeias. Um jovem yanomani de 15 anos morreu com em decorrência da doença. Outros dois indígenas também foram vítimas, mas ambos viviam em áreas urbanas – uma mulher da etnia kokama, de 44 anos, e um indígena tikuna, de 78.

As áreas de preservação mais afetadas no primeiro trimestre de 2020 são a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará; a área de proteção ambiental do Tapajós, também no Pará; e a reserva extrativista Chico Mendes, no Acre.


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