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Segundo jornal, Eduardo Fortunato Bim contrariou pareceres da área técnica do órgão para liberar desmatamento em área de Mata Atlântica no Paraná

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Gilmar Felix - Câmara dos Deputados
Presidente do Ibama

O presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, contrariou pareceres técnicos e permitiu que parte de uma área de Mata Atlântica do Paraná fosse desmatada. A informação é do jornal O Globo, que obteve documentos relacionados ao assunto. 

A área desmatada fica às margens do rio Tibagi e era alvo de busca por licenças para construção de canteiro de obras de uma hidrelétrica desde 2018. A construção do canteiro implicaria em cerca de 14 hectares desmatados pela empresa Tibagi Energia

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Segundo o Globo, os fiscais do Ibama detectaram que a área já havia sido desmatada antes mesmo da autorização do órgão. Geralmente, as permissões do tipo são dadas pelos estados, mas o desmate em área de mata ameaçada fez com que a responsabilidade do assunto fosse do Ibama .

Os documentos obtidos pelo jornal mostram que força-tarefa de técnicos no estado pediu no mês de abril que a anuência do desmate na área não fosse dada devido ao “elevado potencial ambiental, cultural e paisagístico” da área. 

A riqueza da fauna no local e as espécies ameaçadas de extinção que vivem na área também foram apontadas no parecer. A negativa fez com que a empresa recorresse à decisão, que teve o mesmo parecer. Após a segunda negativa, já no mês de junho, a empresa recorreu direto ao presidente do Ibama, que assinou despacho liberando desmate, criticando funcionários e determinando que 28 hectares fossem plantados para compensar a área desmatada sem permissão.

“Ao Ibama cabe unicamente analisar as questões relativas à Mata Atlântica, mais especificamente a sua supressão", diz despacho de Bim.