manchas em praia de pernambuco
Foto: Reprodução/Instagram
Mancha de óleo na praia de Tamandaré, em Pernambuco

Pelo menos 900 toneladas de resíduos de óleo já foram retirados das praias do Nordeste afetadas pelo vazamento do material tóxico. O balanço foi divulgado na noite da segunda-feira (21) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marinha e pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). 

Mas, afinal, após todas essas manchas de óleo encontradas no litoral nordestino , é seguro tomar banho de mar nessas regiões? A reportagem do iG conversou com alguns especialistas para esclarecer se há risco no contato com o material diluído na água dos mares. 

As primeiras manchas de petróleo surgiram no dia 30 de agosto, na Paraíba, e desde então, já afetaram 200 locais em 9 estados, uma área total de 2.250 km da costa brasileira foi atingida, segundo o último relatório do Ibama.   (Confira o documento completo aqui).

Leia também: Marinha diz que 900 toneladas de óleo foram retiradas do Nordeste

barril de petróleo
Foto: Secom/Sergipe
Barril de óleo é achado perto de Natal, no Rio Grande do Norte

De acordo com Maria Christina Araújo, professora do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a recomendação é que o banhista redobre o cuidado nas áreas visivelmente comprometidas. Para a especialista em poluição marinha , o banho de mar deve ser evitado até que sejam divulgadas mais informações dos órgãos competentes a respeito do óleo.

“O petróleo cru tem uma série de compostos tóxicos e por exemplo, quem está trabalhando na recolhimento desse material precisa usar os equipamentos de segurança. Mas, quem vai mergulhar por lazer, é melhor que evite nesse primeiro momento. A gente não sabe até a que ponto os ecossistemas foram afetados, muito embora já saibamos do grande impacto em nosso meio ambiente”, explica a professora. 

A pesquisadora alerta ainda para o risco do óleo camuflado na areia e da possibilidade do risco acidental. “As pessoas estão limpando as praias, mas muito óleo já está misturado na areia e isso dificulta a limpeza a olho nu. Imagina uma criança sentada nessa mesma areia , elas adoram colocar tudo na boca e numa dessas, podem engolir uma bolinha do petróleo. É muito perigoso e por isso é importante evitar as áreas afetadas pelo vazamento, por enquanto”, disse. 

Leia também: Manchas de óleo no Nordeste se concentram em Pernambuco, diz Marinha

O último balanço do Ibama aponta que 200 praias já foram contaminadas por manchas de óleo, um total de 72 cidades atingidas. Este é, em extensão, o maior derramamento de petróleo da costa brasileira nos últimos 30 anos e maior acidente ambiental da história do litoral do país

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Foto:Governo do Sergipe/Divulgação
Manchas de óleo espalhadas por praia do Sergipe

O químico Arquimedes Moraes, que estuda petróleo na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), explica que o material é uma mistura líquida com 90% de hidrocarbonetos (compostos formados por carbono e hidrogênio) e outros contaminantes que podem ser cancerígenos e provocar sérias consequências no caso de contato. 

Para ele, ainda é cedo para categorizar a toxicidade do material em questão no litoral nordestino porque existem vários tipos de petróleo, mais ou menos tóxicos. Dentre as substâncias químicas de risco, um dos componentes é o benzeno, hidrocarboneto altamente cancerígeno.

“Como a gente não tem uma análise de laboratório sendo divulgada todos os dias sobre a contaminação dessas praias, o acesso a esses locais tinha que ser proibido pelo risco de grave intoxicação”, afirma Arquimedes. 

No caso de turistas que estejam com viagens marcadas para o litoral nordestino ou  moradores da região acostumados a frequentar o litoral, os especialistas são unânimes. Para eles, o melhor é evitar inicialmente o contato na areia e no mar dessas regiões afetadas

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Foto: Divulgação/Prefeitura de Vera Cruz
Manchas de óleo chegaram à Baía de Todos-os-Santos e atingem Ilha de Itaparica, na praia de Barra do Pote






Em Sergipe, no dia 5 de outubro, o governo decretou situação de emergência e entre as outras providências, recomendou a população a não utilizar as praias, nem retirar nenhuma substância, mesmo com o intuito de ajudar.

Mas, no último dia 19,  a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) informou que todas as praias do estado estão liberadas para o banho. 

Leia também: "Se esse óleo fosse no RJ ou SP, a repercussão seria outra”, alerta pesquisadora

O dermatologista Francisco Almeida destaca ainda que tal contato com o óleo pode provocar danos não só na pele, mas também no sistema respiratório. Ele recomenda que as pessoas que estão ajudando voluntariamente na limpeza das praias usem sempre os equipamentos de proteção individual, como luvas, botas e máscaras. 

“Eu digo para evitarem ao máximo o contato com esse óleo. Há risco não somente na pele, mas na saúde geral do organismo, podendo ser cancerígeno”, explica. 

Na pele, o óleo é capaz de induzir a um quadro de dermatite e alergias. O maior risco, de acordo com o dermatologista, são as crianças.

Marinha alerta sobre riscos

A Marinha do Brasil divulgou alertas e recomendações sobre o contato com resíduos do óleo no litoral do Nordeste. Entre elas, justamente não entrar em contato direto com a substância e evitar contato com água, areia e solo nas regiões atendidas. 

Em caso de exposição e surgimento de sintomas, deve-se acionar o Centro de Informações Toxicológicas pelo telefone 0800.722.6001.  Além disso, procurar atendimento médico o mais rápido possível é fundamental.

O site oficial do Ibama publica balanços regulares das localidades atingidas. Quem deseja saber se uma praia está com manchas de óleo, pode checar se ela consta na lista mais atual do órgão . Na tabela do site, as localidades são divididas em 4 categorias :

Oleada com manchas: a porcentagem da cobertura de óleo no local analisado varia de 11% a 50%;
Oleada com vestígios/esparsos: a porcentagem da cobertura de óleo no local pode ser inferior a 1%, chegando a, no máximo, 10%;
Não observado: localidades onde o óleo não era mais visível na última análise;
Em limpeza: locais que estão em processo de limpeza, seja pelas autoridades, seja pela população.

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