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Mudanças hormonais no corpo deste pequeno roedor garantem que a cópula seja realizada com sucesso, mas também acabam por matá-lo de exaustão

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Reprodução
Machos da espécie copulam com diversas fêmeas, em uma verdadeira 'orgia sexual', antes de caírem mortos

O Dasykaluta rosamondae, ou apenas kaluta, é uma espécie bastante incomum de marsupial. Encontrado nas áridas regiões do noroeste da Austrália, este pequeno roedor tem uma vida curta, mas bastante agitada: os machos morrem após uma verdadeira 'orgia sexual' que pode durar até 14h.

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Uma pesquisa recente, realizada por cientistas de duas universidades da Austrália e publicada no Jornal da Zoologia, apontou que o kaluta é semélpare, seres que copulam apenas uma vez antes de morrer, algo bastante raro no reino animal e que é comumente encontrado em invertebrados. Ou seja: para os machos, a relação sexual é como uma sentença de morte.

"Nós descobrimos que os machos só copulam durante uma temporada extremamente específica, de forma bastante sincronizada entre todos os espécimes. Depois, eles simplesmente morrem", afirmou a ecologista Genevieve Hayes, uma das responsáveis pelo estudo.

O grupo monitorou os hábitos de reprodução dos kalutas no Parque Nacional Millstream Chichester, no noroeste australiano, entre os anos de 2013 e 2014. Nas duas temporadas, eles observaram a completa extinção dos machos da espécie. O comportamento já havia sido constatado em cativeiro, mas esta foi a primeira vez que foi acompanhado na natureza.

De acordo com o estudo, o kaluta atinge sua maturidade sexual com apenas dez meses e tem cerca de uma ou duas semanas durante o mês de setembro para realizar seu processo de reprodução. É neste momento que ele encontra as fêmeas e realiza a cópula, que pode ter diversas parceiras e durar até 14h. Então, morre de exaustão.

"É uma morte inevitável por estresse crônico. Geralmente, a causa da morte é uma ulceração do trato intestinal, que começa a jorrar sangue e acaba levando a uma falência múltipla de órgãos", revela Christopher Dickman, professor de ecologia terrestre da Universidade de Sydney, em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times.

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A explicação para isso, segundo Dickman, é o fato de que os machos param de produzir esperma um ou dois meses antes do início da época de acasalamento e começam a produzir grandes quantidades de testosterona e corticosteróides , o que acaba por suprimir seu sistema imunológico exatamente durante a cópula, levando todo seu organismo ao limite do estresse.

Apesar de trágica, a forma como a reprodução acontece entre os kalutas é extremamente satisfatória. As fêmeas, que conseguem guardar o esperma por até duas semanas, acasalam com diversos parceiros, garantindo assim que os óvulos serão fecundados mesmo quando a temporada de acasalamento já se encerrou e todos os machos estão mortos.