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Experimento revelou que substância tem deixado os peixes hiperativos, com desgastes musculares, alterações hormonais e problemas respiratórios; leia

Pesquisa revelou cocaína encontrada em rios europeus tem ameaçado reprodução das enguias e afetado sua fisiologia
Reprodução/Shutterstock
Pesquisa revelou cocaína encontrada em rios europeus tem ameaçado reprodução das enguias e afetado sua fisiologia

Pequenas quantidades de cocaína despejadas nos rios da Europa estão causando danos irreparáveis às enguias. De acordo com o The Guardian , a substância tem deixado os peixes actinopterígeos hiperativos, com desgaste muscular e alterações hormonais.

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Os pesquisadores da Universidade de Nápoles Federico II, responsáveis pelo estudo, afirmaram que o impacto dos restos de cocaína na fisiologia das enguias europeias tem ainda dificultado a reprodução, já que os animais não conseguem concluir o percurso de seis mil quilômetros nos oceanos, causando também prejuízos ao sistema respiratório desses animais. 

Experimento com cocaína e ameaça à reprodução das enguias

Para descobrir se de fato a substância era a causadora de tantos danos à vida das enguias, a equipe realizou um experimento, em que manteve os peixes imersos em águas com partículas da droga por 50 dias.

Eles explicaram que, com o passar do tempo, foi possível notar uma mudança no comportamento dos animais, já que aqueles que foram expostos à droga estavam hiperativos e com músculos machucados e inchados.

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Depois do período, os especialistas retiraram as enguias das águas com a substância e colocaram-nas em um aquário com água limpa, a fim de proporcionar uma espécie de reabilitação por dez dias. Entretanto, mesmo vivendo em condições mais favoráveis, a droga não parou de agir no organismo dos peixes, aumentando seus níveis de cortisol, hormônio causador do estresse e da perda de gordura corpórea.

"Todos os tecidos afetados pela cocaína desempenham um papel fundamental na sobrevivência dos peixes. Eles foram muito prejudicados, principalmente pelo aumento do cortisol, que não permite com que criem uma reserva de gordura, que é fundamental para que consigam realizar a migração necessária para a reprodução", disse a autora do estudo, Anna Capaldo.

Estudos anteriores encontraram a cocaína em muitos rios europeus, inclusive nos da Itália, Tâmisa, e também no oeste de Londres. Esse dado detectou uma grande ameaça à vida das enguias, assim como a concentração de antibióticos e outros poluentes nas águas.

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“Um rio poluído não terá apenas cocaína , mas também, THC, morfina, MDMA, metais pesados, fenóis e antibióticos. Todas essas substâncias podem interagir umas com as outras e os efeitos resultantes são imprevisíveis. Continuaremos realizando mais pesquisas para protegê-los e examinar como os danos musculares afetam a reprodução deles”, concluiu Capaldo.

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