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Corpos de tigres, elefantes e ursos foram achados enrolados em cabos de freio para motos; biólogos temem que florestas asiáticas fiquem vazias

Mais de 100 mil armadilhas de captura de animais foram retiradas de parque ambiental no Camboja por guardas da região
Reprodução/Project Anoulak
Mais de 100 mil armadilhas de captura de animais foram retiradas de parque ambiental no Camboja por guardas da região

O Parque Nacional do Cardamomo no Camboja informou que mais de 100 mil armadilhas foram removidas da área protegida por guardas florestais da Wildlife Alliance nos últimos meses. De acordo com estudo e mapeamento realizado pelo diretor da instituição, Thomas Gray, cadáveres de animais de diferentes espécies também foram encontrados na reserva ambiental.

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Ao The Guardian , Gray contou que os corpos de tigres, elefantes, ursos e outros animais estavam enrolados em cabos de freio para motos, o que evidencia a utilização de  armadilhas  desenvolvidas por caçadores da região.

"Algumas florestas no Vietnã não têm mamíferos maiores do que os esquilos. A diversidade de espécies está desaparecendo das nossas florestas, o que pode causar prejuízos substanciais para serviços ecossistêmicos e para toda a biodiversidade”, defendeu.

“Florestas estão cheias de armadilhas e vazias de animais”

O diretor ainda relatou que, apesar da situação ser mais séria no Vietnã, o uso desses mecanismos para captura de animais tem crescido muito no Camboja, Mianmar, Indonésia e Tailândia. Em alguns lugares, até mesmo em áreas protegidas, a implementação da armadilha tem sido tão frequente que biólogos preveem o início de uma era com "florestas vazias".

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Com a observação das matas e de reservas protegidas, os ambientalistas descobriram que as espécies estão sendo mortas, mutiladas e vendidas para o comércio alimentício e para a indústria da moda na Ásia, fomentando a produção de casacos de pele e acessórios feitos com ossos e dentes.

“Os guardas florestais rotineiramente encontram animais mortos. Muitos caçadores assassinam esses bichos e retornam no dia seguinte para buscá-los, mas já em processo de decomposição, e assim abandonam as carcaças. Mesmo quando conseguem fugir, os bichos ficam com muitos danos físicos, já que  têm partes do corpo arrancadas na fuga”, explicou.

Gray assegurou que outros parques da região também são monitorados, bem como áreas protegidas, onde o uso de armadilhas é proibido. Ele ressaltou que, por mais que o uso dessas armas de captura seja menor nesses ambientes e que as espécies gravemente feridas sejam transferidas para clínicas veterinárias especializadas e ONGs, é necessário que ocorra uma mudança no comportamento dos cidadãos.

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“Os treinamentos realizados com nossas equipes são muito detalhistas, porém, são muitas armadilhas espalhadas pelas florestas, temos noção de que não é viável retirar todas elas e proteger os animais como gostaríamos. Por isso, acreditamos na importância da conscientização e no amparo legal, que podem vetar essas práticas e ajudar na preservação de nosso meio ambiente e de nossos animais”, concluiu.

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