A falta de boas práticas na gestão de resíduos sólidos nas cidades tem contribuido de maneira muito delicada para a poluição marinha. De acordo com estudo da International Solid Waste Association (Associação Internacional de Resíduos Sólidos), em parceria com a ABRELPE, representante da entidade no Brasil, os oceanos recebem anualmente mais de 25 milhões de toneladas de resíduos.

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Reuters
No Brasil, 2 milhões de toneladas de resíduos por ano chegam aos oceanos, volume equivalente a encher 7mil canpos de futebol ou 30 estádios do Maracanã da base ate o topo

O relatório da ABRELPE que será apresentado durante o Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília (DF), aponta que cada tonelada de resíduo não coletada em áreas próximas aos recursos hídricos representa o equivalente a mais de 1.500 garrafas plásticas que vão parar nos oceanos.

"O lixo existente no ambiente marinho já é um desafio global semelhante às mudanças climáticas. E o problema, que vai muito além daquilo que é visível, está presente em quase todas as áreas costeiras do mundo, trazendo desequilíbrio tanto para a fauna e flora marinhas e comprometendo esse recurso vital para a humanidade”, observa Antonis Mavropoulos, presidente da ISWA.

A publicação da ISWA traz uma estimativa de que entre 500 milhões e 900 milhões de toneladas de resíduos não são coletadas no mundo, e chama atenção para o fato de que a falta de um correto gerenciamento de resíduos tem gerado um enorme passivo no ambiente marinho, cujos fragmentos eventualmente se transformarão em micro e nanopartículas, que estão além das nossas habilidades para controlar, mas causam um imenso impacto negativos nos oceanos.

Poluição marinha no Brasil

Ainda de acordo com o levantamento feito pela ABRELPE, no Brasil cerca de 2 milhões de toneladas de resíduos vão parar nos oceanos todos os anos. Esse volume é suficiente para preenhcer 7 mil campos de futebol ou 30 estádios do Maracanã da base até o topo.

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“A existência dos lixões viola princípios básicos de direitos humanos, contribui para a poluição dos recursos hídricos e desperdiça mais de R$ 5,5 bilhões por ano de recursos públicos destinados à recuperação do meio ambiente e ao tratamento de problemas de saúde. Com menos da metade desses recursos, o País poderia fechar todos os seus lixões e modernizar significativamente o sistema atual de gestão de resíduos”, analisa o diretor presidente da ABRELPE.

"A maneira ideal para combater a poluição nas fontes hídricas seria fazer o sistema de coleta correto. Separando o lixo e mandando para os aterros apenas o material que realmente não pode ser descartado de nenhuma maneira", diz a assessora da ABRELPE, Clara Costa.

Se os milhares de resíduos sólidos provenientes dos plástico que chegam aos oceanos pela costa brasileira fossem encaminhados para processos de reciclagem, haveria uma economia de, no mínimo, 3,6 milhões de litros de gasolina, e os recursos naturais da Terra teriam tempo de vida útil maior, contribuindo para o não esgotamento dos ecossistemas, que hoje são consumidos à exaustão e de maneira muito acelerada.

O relatório comprova que as ações locais de gerenciamento de resíduo (ou a falta delas) têm um impacto global nos recursos hídricos de forma que, sem uma ação para financiamento efetivo dos serviços de limpeza urbana,  não será possível eliminar a crise de lixo marinho.

"O financiamento dos serviços de gestão de resíduos sólidos é uma questão fundamental para a melhoria das condições ambientais, proteção da saúde e do bem mais precioso da humanidade: os recursos hídricos. Caso contrário, os impactos negativos crescerão em ritmo exponencial, comprometendo e tornando demasiado onerosa qualquer iniciativa futura de recuperação”, conclui Carlos Silva Filho, porta-voz da ISWA no Brasil.

ABRELPE 

Criada em 1976, a ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais é uma associação civil sem fins lucrativos, que representa as empresas que atuam nos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.

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Sua atuação é guiada pelos princípios da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável e seu objetivo principal é promover o crescimento técnico-operacional do setor de resíduos sólidos no Brasil.

A ABRELPE desenvolve parcerias com poder público, iniciativa privada e instituições acadêmicas e, por meio de estudos, campanhas, eventos e premiações, busca conscientizar a sociedade para a correta gestão dos resíduos.

No contexto internacional, a ABRELPE é a representante no Brasil da ISWA – International Solid Waste Association e sede da Secretaria Regional para a América do Sul da IPLA (Parceria Internacional para desenvolvimento dos serviços de gestão de resíduos junto a autoridades locais), um programa reconhecido e mantido pela ONU através da UNCRD - Comissão das Nações Unidas para Desenvolvimento Regional. Além disso, a ABRELPE é integrante da Iniciativa para os Resíduos Sólidos Municipais da CCAC (em inglês, Climate and Clean Air Coalition), uma parceria internacional para o meio ambiente que atua em diversas frentes para redução de poluentes e no combate às mudanças climáticas.

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