Representação do Monumento de Yonaguni, no Japão
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Representação do Monumento de Yonaguni, no Japão

No fundo do mar, próximo a uma pequena ilha do Japão, existe uma formação de pedra, conhecida como Monumento de Yonaguni. Desde sua descoberta, há 40 anos, pesquisadores tentam descobrir se foi criada pela natureza ou se pode ter sido modificada por uma civilização antiga.

Descoberta em 1986, a estrutura tem grandes blocos de rocha  com formas que lembram degraus e paredes feitas pelo homem.

A formação está localizada perto da ilha de Yonaguni, no extremo oeste do Japão. O local passou a ser chamado popularmente de “Atlântida do Japão”, em referência à lendária cidade perdida que teria desaparecido no oceano.

O monumento foi encontrado pelo guia de mergulho Kihachiro Aratake, enquanto procurava novos pontos para levar turistas interessados em observar tubarões-martelo, quando encontrou a enorme formação de pedra no fundo do oceano.

Em uma entrevista à BBC, cerca de 35 anos após a descoberta, Aratake contou que ficou impressionado com o que viu.

Quando encontrei pela primeira vez (...) meu cabelo ficou arrepiado. Eu tive arrepios por todo o corpo. Foi impressionante. Kihachiro Aratake, guia de mergulho


O guia disse que percebeu naquele momento que a descoberta poderia "se tornar um tesouro absoluto para Yonaguni".

Formação lembra uma antiga construção humana

Um dos primeiros a estudar o lugar foi Masaaki Kimura, geólogo da Universidade das Ilhas Ryukyu, no Japão. Ele defende que a formação poderia ter sido construída ou modificada por seres humanos há milhares de anos.

Segundo Kimura, o monumento teria  ficado submerso depois do aumento do nível dos oceanos, no fim da última Era do Gelo.

Em entrevista à revista National Geographic, em 2007, Kimura afirmou que algumas características da estrutura, como seus grandes degraus e formatos próximos de linhas retas, seriam difíceis de explicar só por processos naturais.

Penso que é muito difícil explicar sua origem como sendo puramente natural, devido à grande quantidade de evidências da influência humana nas estruturas. Masaaki Kimura, geólogo da Universidade das Ilhas Ryukyu


Uma das áreas do monumento teria características parecidas com uma pirâmide em degraus, com cerca de 270 metros de comprimento, 120 metros de largura e 26 metros de altura.

Materiais encontrados perto do lugar poderiam indicar a presença humana na região há aproximadamente 10 mil anos. O pesquisador chegou a comparar a estrutura a antigas construções de Okinawa, como os castelos tradicionais conhecidos como gusuku.


Cientistas não concordam

Apesar da hipótese de Kimura, muitos pesquisadores discordam da ideia de que Yonaguni seja uma construção humana.

Um dos principais críticos dessa interpretação é Robert Schoch, professor de Ciências Naturais da Universidade de Boston, nos Estados Unidos. Após fazer mergulhos na região, ele concluiu que o monumento é principalmente resultado de processos naturais.

Segundo Schoch, as rochas da região são formadas principalmente por arenito e lamito, tipos de pedra que podem se  quebrar naturalmente seguindo linhas horizontais e verticais.

Esse processo pode criar superfícies retas e formas que lembram paredes, degraus ou blocos organizados, mesmo sem a interferência humana.

É de fato uma estrutura absolutamente incrível e vale a pena ser vista, mas devo concluir que, com base em todas as evidências, ela é principalmente uma estrutura natural. Robert Schoch, professor de Ciências Naturais da Universidade de Boston


Schoch, porém, não descartou completamente que antigos habitantes da região possam ter usado ou alterado partes da formação. Ele comparou a possibilidade ao uso de cavernas naturais por povos pré-históricos, que aproveitaram esses espaços para produzir pinturas e outros registros.

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