Caverna Vanguard, em Gibraltar, território britânico ao sul da Espanha
Reprodução/Museu Nacional de Gibraltar
Caverna Vanguard, em Gibraltar, território britânico ao sul da Espanha

Uma caverna que ficou isolada do mundo por cerca de 40 mil anos  revela pistas que podem ajudar a entender como viviam os últimos neandertais, espécie humana que desapareceu há milhares de anos.

A descoberta foi feita em uma câmara de 13 metros de comprimento escondida dentro da Caverna Vanguard, em Gibraltar, território britânico ao sul da Espanha. 

A descoberta foi feita na Caverna Vanguard em 2021, que faz parte do Complexo de Cavernas de Gorham, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial. O local reúne quatro cavernas que guardam indícios da presença de neandertais e dos primeiros humanos modernos ao longo de mais de 100 mil anos.

Hoje, as entradas dessas cavernas ficam próximas ao mar. Durante a Era do Gelo, porém, o nível da água era mais baixo e elas se abriam para áreas de terra firme. O espaço ficou fechado por uma camada de areia desde a Era do Gelo, conservando materiais que começam a ser estudados pelos cientistas.

Complexo de cavernas em Gibraltar
Clive Finlayson, Gibraltar Museum
Complexo de cavernas em Gibraltar


O diretor do Museu Nacional de Gibraltar, Clive Finlayson, afirmou que a idade da areia que bloqueava a passagem reforça a ligação do local com os neandertais.

“Considerando que a areia que selava a câmara tinha 40 mil anos e, portanto, a câmara era mais antiga, devia ter sido habitada por neandertais.”Clive Finlayson, diretor do Museu Nacional de Gibraltar


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Um dos últimos refúgios dos neandertais na Europa

Análises feitas com carbono-14, método usado para estimar a idade de materiais antigos, indicam que os neandertais  ocuparam o complexo entre cerca de 33 mil e 24 mil anos atrás. Por isso, Gibraltar é considerado um dos últimos lugares da Europa onde essa espécie humana viveu antes de desaparecer.

Segundo a UNESCO, os vestígios encontrados na região mostram que os neandertais caçavam aves e animais marinhos, utilizavam penas como enfeites e faziam desenhos e marcas nas paredes das cavernas. A nova câmara pode ajudar os cientistas a entender melhor como eles viviam.


Uso de recursos do mar e ferramentas

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que os neandertais de Gibraltar não dependiam apenas da caça em terra. Eles também aproveitavam recursos encontrados no litoral.

Entre os vestígios descobertos estão conchas de mexilhões e ossos de peixes, focas e golfinhos. Muitos desses restos apresentam marcas feitas por ferramentas de pedra, indicando que os animais foram usados como alimento.

Em 2024, pesquisadores do Museu Nacional de Gibraltar, da Universidade de Múrcia e do Instituto Andaluz de Ciências da Terra identificaram uma antiga fogueira na Caverna Vanguard. O local era usado para aquecer plantas e produzir uma espécie de cola natural, utilizada para prender pontas de pedra em lanças.

“São descobertas animadoras que abrem um novo capítulo da nossa rica história. Conhecendo bem a Caverna Vanguard, muitas vezes me perguntei o que estaria por trás das areias. Agora começamos a ter um primeiro vislumbre.”John Cortes, ministro do Meio Ambiente de Gibraltar


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