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"Portão do inferno" está se fechando; entenda por que não é uma boa notícia

Uma gigantesca cratera em chamas no meio do deserto pode estar finalmente perdendo intensidade após décadas queimando sem parar. Conhecida mundialmente como “Portão do Inferno”, , no Turcomenistão, sempre foi cercada por mistério, lendas e curiosidade científica. Agora, novas medições indicam que o fogo pode estar enfraquecendo. As informações são do The New York Times.

Localizada no deserto de Karakum, a enorme abertura tem aproximadamente o tamanho de um campo de futebol e se tornou uma das atrações turísticas mais incomuns do planeta. Durante anos, aventureiros viajaram até a região isolada da Ásia Central para observar as labaredas que saem do interior do buraco gigantesco.

A cratera de Darvaza
Eurasia Travel
A cratera de Darvaza


Portão do inferno está perdendo força

Dados de imagens infravermelhas coletados em 2026 mostram que o calor emitido pelas chamas caiu mais de 75% nos últimos três anos. A análise foi realizada pela empresa Capterio, especializada no monitoramento de emissões de gás natural.

O governo do Turcomenistão afirma que a redução aconteceu após a perfuração de dois poços próximos à cratera em 2024, usados para captar parte do gás natural subterrâneo. No entanto, especialistas apontam que o enfraquecimento do fogo pode ter começado antes disso, levantando dúvidas sobre o verdadeiro motivo da diminuição das chamas.

A cratera de Darvaza
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A cratera de Darvaza


Origem da cratera de Darvaza

A origem do “Portão do Inferno” continua cercada de incertezas. Segundo relatos populares, geólogos soviéticos perfuravam a área em busca de petróleo nas décadas de 1960 ou 1970 quando o solo desabou, formando uma enorme cavidade. Para evitar a liberação de gases tóxicos, os cientistas teriam ateado fogo ao local, acreditando que ele queimaria por apenas algumas semanas.

O plano deu errado. Mais de 50 anos depois, o fogo continua ativo graças a túneis subterrâneos repletos de gás natural. A  cratera se transformou em símbolo turístico do país e até cenário de propaganda política. Em 2019, o então presidente Gurbanguly Berdymukhamedov apareceu dirigindo em alta velocidade ao redor da cratera para desmentir rumores sobre sua morte.

Apesar da redução das labaredas, cientistas alertam que o fenômeno ainda representa um problema ambiental. O local libera grandes quantidades de metano, um dos gases que mais contribuem para o aquecimento global. Dados da organização Carbon Mapper apontam que a cratera emitiu, em média, cerca de 1.300 quilos de metano por hora entre 2022 e 2025.


Paradoxalmente, as próprias chamas ajudam a reduzir parte do impacto ambiental. Isso porque o fogo transforma o metano em dióxido de carbono, considerado menos nocivo ao clima no curto prazo. Especialistas explicam que, se o gás escapasse diretamente para a atmosfera sem combustão, os danos climáticos poderiam ser ainda maiores.

Mesmo menos intensa, a cratera continua impressionando visitantes. Guias turísticos relatam que as labaredas ainda chegam a quase dois metros de altura em alguns pontos. O calor permanece tão forte que turistas conseguem assar marshmallows e preparar café utilizando fissuras quentes abertas no solo ao redor do buraco ardente.

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