
A nova corrida espacial já começou, e tem nome: Programa Artemis . Liderado pela NASA, o projeto marca o retorno da humanidade à Lua após mais de 50 anos e abre caminho para futuras missões a Marte. Mais do que objetivos científicos, o programa reúne curiosidades e desafios que mostram o tamanho dessa empreitada.
Curiosidade: Saiba por que os trajes da Artemis II são da cor laranja
Além disso, o Brasil também está inserido nesse contexto. Segundo o senador e astronauta Marcos Pontes (PL), em entrevista ao iG, o país passou a integrar oficialmente a iniciativa nos últimos anos.
O Brasil é um país participante do Programa Artemis. Isso permite que nossos pesquisadores, cientistas e empresas participem do desenvolvimento de tecnologias, tanto para habitats quanto para sistemas de voo Marcos Pontes
Uma viagem mais longa do que qualquer outra
A missão Artemis I, ainda sem tripulação, percorreu cerca de 2,2 milhões de quilômetros ao redor da Lua. Já a Artemis II será a primeira com astronautas e deve ultrapassar as distâncias das missões tripuladas do século passado, marcando o retorno humano ao espaço profundo.

Fora da proteção natural da Terra
Um dos pontos mais críticos da missão é a saída da magnetosfera, a região que protege a Terra contra radiação. Fora dela, os astronautas ficam mais expostos, um risco que também aparece nos planos de permanência na Lua.

Pontes explica que esse é um dos maiores desafios:
A Lua não tem campo magnético, ou seja, é bombardeada por radiação o tempo todo. Isso é prejudicial à saúde e também aos equipamentos
Sobreviver na Lua é um desafio extremo
Diferente da Terra, a Lua não possui atmosfera nem condições naturais para a vida. Isso exige tecnologia avançada para garantir a sobrevivência dos astronautas.

O ser humano precisa de equipamentos para tudo: oxigênio, pressão adequada, controle de temperatura. Lá você tem pressão praticamente nula, não tem ar, não tem nada
Segundo ele, manter pessoas por longos períodos no satélite envolve uma série de sistemas complexos:
Você precisa pensar em alimentação, sistema de dejetos, proteção contra temperatura extrema e radiação. Ou seja, é um desafio grande manter um ser humano na superfície lunar
Trajes espaciais são como “mini espaçonaves”
Outro detalhe curioso está nos trajes utilizados pelos astronautas. Muito mais avançados do que os da época do programa Programa Apollo, eles funcionam praticamente como espaçonaves individuais.

O traje tem que fornecer oxigênio, energia, comunicação e proteção. Na verdade, é uma espaçonave. Custa milhões de dólares
Esses equipamentos estão sendo desenvolvidos para oferecer mais mobilidade e segurança, principalmente para futuras missões de longa duração na Lua e em Marte.
Poeira lunar pode comprometer equipamentos
Um problema pouco conhecido, mas crítico, é o solo da Lua. A superfície é coberta por um pó extremamente fino que pode danificar sistemas.
O solo da Lua é um pó muito fino, que penetra em tudo, até em relógios. Isso dificulta a criação de mecanismos protegidos e a própria entrada e saída dos habitats
Participação privada muda o jogo
Diferente das missões do passado, como as do programa Programa Apollo, a Artemis conta com forte presença de empresas privadas como SpaceX e Blue Origin.

Para Pontes, essa mudança é essencial:
A participação do setor privado é extremamente importante. Ela torna os processos mais rápidos, mais baratos e mais eficientes
Ele também destaca que isso pode gerar impactos diretos na economia:
Esse é um mercado gigante. As empresas criam empregos, geram tecnologia e trazem benefícios não só para o espaço, mas também para a Terra
Tecnologia espacial também beneficia a vida na Terra
Os avanços do programa Artemis não devem ficar restritos ao espaço. Segundo Pontes, há um efeito direto no desenvolvimento de soluções para o dia a dia.
Um passo rumo a Marte
O programa espacial sempre gera tecnologias que depois são usadas aqui. É uma via de mão dupla
Apesar do foco na Lua, o objetivo final da Artemis é ainda mais ambicioso: preparar a humanidade para chegar a Marte. A ideia é usar o satélite como base de testes para tecnologias, sistemas e estratégias de sobrevivência.
Com isso, a missão deixa de ser apenas simbólica. Ela representa o início de uma nova fase da exploração espacial, mais tecnológica, mais colaborativa e com participação global, incluindo o Brasil.