
Você já deve estar bem familiarizado com os planetas do nosso Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte... Mas e os exoplanetas? O nome parece representar algo complexo, mas a realidade é outra. A diferença está, basicamente, no endereço deles!
Os planetas são corpos celestes que orbitam a nossa estrela, o Sol. Já os exoplanetas orbitam outras estrelas, em outros sistemas estelares - ou, em casos mais exóticos, objetos como anãs marrons e até pulsares.Não sabe o que são anãs marrons? Te explico! Elas são como “estrelas que não deram certo”. Esses corpos celestes nasceram com matéria suficiente para se parecer com estrelas, mas não com energia o bastante para brilhar como o Sol. Ficam num meio-termo entre planetas gigantes, como Júpiter, e estrelas de verdade. Elas costumam emitir um brilho fraco e são difíceis de detectar.
Já os pulsares, são o que “sobra” de uma estrela gigante depois que ela explode em uma supernova. Eles giram muito rápido e mandam feixes de energia no espaço, como uma espécie de farol. Nós conseguimos saber da existência deles porque esses sinais emitidos podem ser captados por radiotelescópios aqui na Terra.

Desde a descoberta do primeiro exoplaneta confirmado em 1992 (que, curiosamente, orbitava um pulsar), essa área da astronomia não parou de crescer. Em 1995, o primeiro planeta fora do Sistema Solar orbitando uma estrela como o Sol foi detectado - uma descoberta tão importante que rendeu aos astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz o Prêmio Nobel.
Detecções a todo vapor
Em setembro de 2025, a NASA confirmou um marco: mais de 6 mil exoplanetas foram oficialmente catalogados. Acredite se quiser, o número é “pequeno” considerando o tamanho do nosso universo, mas ainda assim, é uma mina de ouro para a ciência buscar novos dados. Dentro desses 6 mil mundos identificados, a gente encontra Super-Terras, os Júpiteres quentes, mini-Netunos, mundos de lava e até os famosos planetas Tatooine, que orbitam duas estrelas, como o cenário clássico de Star Wars.

No entanto, detectar um exoplaneta é só a primeira parte do desafio. Muitos objetos que parecem planetas são, inicialmente, classificados como “candidatos”, porque o sinal observado pode ter outras explicações, como interferência instrumental, manchas estelares ou até erros nos dados. Confirmar que se trata mesmo de um planeta leva tempo e exige observações repetidas, com diferentes instrumentos e métodos. É só depois dessa checagem minuciosa que um candidato entra oficialmente na lista da NASA.
2025: um ano agitado na ciência dos exoplanetas
O ano que passou foi um período espetacular para o estudo dos planetas extrassolares. Uma das descobertas mais comentadas foi a do exoplaneta K2-18b, onde o telescópio James Webb detectou sinais de DMS (dimetil sulfeto), uma substância produzida por plânctons na Terra. Será indício de vida? Ainda não dá para afirmar, mas é um indício tentador!
Outro destaque foi a descoberta de mundos que se desintegram: exoplanetas tão próximos de suas estrelas que estão evaporando com o tempo. Um deles possui uma cauda de 9 milhões de km, o equivalente à massa do Monte Everest, sendo perdida a cada órbita.

Também vimos mundos com três sóis, planetas gigantes com órbitas de 300 anos e até um lava world com temperaturas acima dos 1700 ºC. E para quem busca a origem de tudo, também houve detecção de planetas recém-nascidos, com apenas 5 milhões de anos. Praticamente um bebê diante da idade do universo.
A busca por vida além da Terra
O grande objetivo de boa parte dessa pesquisa é encontrar sinais de vida extraterrestre, mas vale destacar: não é qualquer sinal que vale. Os cientistas buscam bioassinaturas inequívocas, ou seja, elementos que só poderiam ser produzidos por seres vivos. A tríade mais cobiçada atualmente é: oxigênio, metano e ozônio. Encontrar esses três juntos em um exoplaneta seria um baita indicativo de vida.
No entanto, existem algumas armadilhas no caminho. Um gás como o metano, por exemplo, pode ser gerado tanto por microrganismos quanto por processos geológicos. Os cientistas têm o desafio de separar esses sinais com precisão, muita paciência e com a ajuda de telescópios cada vez mais poderosos.
O que vem por aí?
Como a necessidade é a mãe da invenção, a próxima década será marcada por instrumentos ainda mais precisos, como o ELT (Extremely Large Telescope), que está sendo construído no Chile e terá 39 metros de diâmetro. Além dele, o aguardado Habitable Worlds Observatory promete revolucionar a detecção direta de exoplanetas semelhantes à Terra.

Com essas ferramentas, pode ser que os cientistas finalmente consigam responder uma das maiores perguntas da humanidade: estamos sozinhos no universo?