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Estudo publicado nesta terça-feira (4) descreve detalhes sobre feito inédito de nascimento de bebê após transplante de útero de doadora que morreu

Primeiro bebê nasce de útero transplantado de doadora falecida; caso de transplante é inédito no mundo
Divulgação/ Sesab
Primeiro bebê nasce de útero transplantado de doadora falecida; caso de transplante é inédito no mundo

O primeiro caso mundial de bebês nascidos vivos após transplante de útero de uma doadora já morta aconteceu no Brasil, em dezembro de 2017. As informações sobre o feito inédito foram divulgadas pelo veículo “The Lancet”, uma das principais revistas médicas do mundo, nesta terça-feira (4).

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Esse foi caracterizado como o primeiro transplante de útero da América Latina e foi realizado por uma equipe totalmente brasileira do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da USP em setembro de 2016. A receptora, de 32 anos, tinha uma doença rara chamada Síndrome de MRKH e, por isso, nasceu sem o órgão. Já a doadora, de 45 anos, faleceu com hemorragia e já havia passado por três partos naturais.

O órgão doado teve boa adaptação no corpo da receptora, que engravidou sete meses após o transplante, através da transferência do embrião para dentro do útero – procedimento que antes era feito somente um ano após o transplante. De acordo com os médicos que participaram da operação, não houve episódios de rejeição do corpo em relação ao útero , nem durante a recuperação, nem ao longo da gravidez.

O nascimento do bebê do sexo feminino, no dia 15 de dezembro de 2017, ficou confirmado como o primeiro e – pelo que é conhecido – único caso do mundo. Esse é um grande passo para a medicina, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, em relação ao tratamento de infertilidade uterina.

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O acontecimento abre “caminho para uma gravidez saudável para todas as mulheres com infertilidade do fator uterino, sem necessidade de doadores vivos”, publicou a revista. Apesar disso, o procedimento ainda precisa ser mais estudado antes que possa ser popularizado e incorporado ao SUS.

Outros transplantes de útero com doadoras falecidas já tinham sido realizados em outros países, porém, até o caso brasileiro, nenhum bebê havia nascido depois da operação.

“É um feito histórico, o primeiro caso sempre marca”, diz Wellington Andraus, autor do estudo e coordenador do serviço de transplante de fígado do Hospital das Clínicas.

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O acontecimento coloca o País novamente em posição pioneira em relação a esse tipo de procedimento.  O primeiro transplante de fígado, entre doador e receptor com vida, e um dos primeiros transplantes de coração do mundo foram, também, realizados no Brasil.

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