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Novas descobertas indicam que será ainda mais complicado encontrar formas de vida no Planeta Vermelho, já que será preciso perfurar o solo em alguns metros para procurar fósseis ou outro indício de vida no presente

Testes revelaram uma nuvem tóxica ao redor de Marte
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Testes revelaram uma nuvem tóxica ao redor de Marte


Uma nova pesquisa, liderada por cientistas da Escócia, descobriu que uma combinação de fatores químicos é capaz de exterminar qualquer forma de vida na superfície de Marte. Isso significa que os pesquisadores terão de mudar as maneiras de procurar por alienígenas no Planeta Vermelho.

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De acordo com o portal  The Guardian , experimentos realizados com componentes do solo de  Marte  chegaram a uma conclusão inédita no estudo do planeta. Algumas substâncias químicas, quando atingidas por raios ultravioletas que chegam até o planeta, formam uma espécie de "coquetel tóxico", que age como um poderoso bactericida.

Tal combinação consegue esterilizar toda as camadas superficiais do árido ambiente, assim, as tentativas de encontrar vida alienígena no Planeta Vermelho terão que abandonar a parte exterior e focar no subsolo do corpo celeste. Segundo a pesquisadora Jennifer Wadsworth, da Universidade de Edimburgo, explicou ao mesmo site, a busca por formas de vida terá que ser em ambientes que estão protegidos da severa radiação que atinge o solo marciano. 

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As fases da pesquisa

Tudo começou há mais de 40 anos, quando o Programa Viking, da Nasa, encontrou vestígios de fortes oxidantes – conhecidos como percloratos – , durante a missão ao quarto planeta do Sistema Solar. Tais indícios, entretanto, só foram confirmados recentemente, em 2015, quando a sonda Mars Reconnaissance Orbiter percebeu os compostos nas chamadas “listras molhadas” do planeta.

Sistema Solar
PedRodarte/ Flickr/ Creative Commons
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Trabalhando com Charles Cockell, um astrobiólogo de Edimburgo, Wadsworth analisou o caso da bactéria Bacillus subtilis , que costuma ser encontrada na água e no solo da Terra e é um “agente contaminador” recorrente em naves espaciais. Os dois pesquisadores expuseram a bactéria ao perclorato de magnésio e a radiação ultravioleta semelhante a que atinge o solo marciano. Os resultados mostraram que o microrganismo foi exterminado duas vezes mais rápido quando exposto ao perclorato.

Prosseguindo a pesquisa, alguns testes revelaram que ao ser atingido por raios UV, o perclorato tende a se quebrar em outros componentes químicos – hipoclorato e clorito – que podem ser os mais mortais para qualquer forma de vida que ousar pisar no solo do planeta.

Além disso, uma série de experimentos analisou os efeitos de óxidos de ferro e peróxido de hidrogênio na bactéria. Também encontrados em amostras do corpo celeste, eles foram capazes de exterminar os microrganismos, na presença de raios UV, 11 vezes mais rápido do que com os percloratos sozinhos. Todas essas condições juntas formam um “coquetel tóxico” e criam um ambiente extremamente inóspito para a sobrevivência.

De acordo com Chris McKay, cientista do Centro Ames de Pesquisa da Nasa na Califórnia, a notícia é, ao mesmo tempo, boa e ruim. Se por um lado ficou ainda mais difícil encontrar vida alienígena em Marte, agora os cientistas sabem exatamente onde procurar por eles. Ademais, os resultados da pesquisa significam que qualquer microorganismo enviado para o planeta não irá afetar o ambiente marciano – o que durante muito tempo preocupou os cientistas.

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