Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) identificou que o veneno da aranha armadeira pode ser manipulado em prol da saúde masculina e ajudar no tratamento de disfunção erétil. O estudo apontou que frente aos demais medicamentos no mercado, ele tem boas vantagens.  A biotecnologia desenvolvida já foi licenciada pela empresa Biozeus, que dará sequência ao projeto.

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Veneno da aranha armadeira pode desenvolver remédio para disfunção erétil
Léo Rodrigues/Agência Brasil
Veneno da aranha armadeira pode desenvolver remédio para disfunção erétil


A pesquisa teve início há mais de 10 anos, quando as instituições isolaram a molécula responsável pelo priapismo – a toxina PnTx(2-6) – responsável pela ereção, foi separada do restante das substâncias do veneno, criando assim o medicamento para disfunção erétil .

 “Nós começamos a estudar qual a parte da toxina atuava nesses canais, para que pudéssemos removê-la. Ao final, dos 48 resíduos de aminoácido que compõem a toxina, nós selecionamos um grupo de 19 aminoácidos e eliminamos o resto. E a partir desse estudo, pudemos sintetizar o peptídeo PnPP 19. Aí, já não era mais a molécula do veneno. Era outra molécula produzida em laboratório”, explica a pesquisadora Maria Elena de Lima Perez Garcia, do departamento de química e neurologia da UFMG.

O peptídeo PnPP 19 foi testado em ratos, onde foi verificada a ereção sem os efeitos indesejados. “Para nossa surpresa, ele não mostrou toxicidade nenhuma nos animais. E também não foi imunogênico, isto é, o organismo não produziu anticorpos contra a substância. Observamos que não houve nenhuma outra alteração no tecido do pênis além da ereção. E também não houve ação nos canais para sódio no restante do organismo”, relata Maria Elena.

De origem sul-americana, a aranha armadeira é bem distribuída no sudeste brasileiro, tanto em áreas rurais como em áreas urbanas. Conhecida cientificamente como Phoneutria nigriventer, ela é também chamada popularmente de aranha-de-bananeira por ser constantemente encontrada em cachos de bananas.

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Remédio

Atualmente o estudo é conduzido pela pesquisadora Carolina Nunes Silva, que tem como tese de seu doutorado a pesquisa. Segundo ela, o medicamento baseado no peptídeo PnPP 19, pode ser usado por pacientes com condições clínicas que impedem o uso do Viagra ou o Cialis. “O grande problema do Viagra é que ele não pode ser usado por pessoas que tem problemas cardiovasculares. E, pelo que vimos um medicamento a partir do peptídeo não teria esse problema. Nós fizemos testes isolados nos corações dos ratos e também em canais pra sódio expressos exclusivamente no miocárdio e não foi observada nenhuma ação”, diz a pesquisadora.

Patente

A UFMG detém a patente da biotecnologia que desenvolveu o peptídeo PnPP 19. Em dezembro de 2016, foi feita a transferência de tecnologia para a Biozeus, que passou a ter os direitos de exploração da molécula.

Alguns testes mais complexos e mais caros estão sendo realizados no exterior. Se as etapas ocorrerem dentro do esperado, o produto para tratar de disfunção erétil pode chegar ao mercado em 2023. Os ensaios pré-clínicos com animais levariam mais dois anos. Os testes clínicos com humanos demandariam aproximadamente quatro anos, parte deles desenvolvidos pela Biozeus e outra pela indústria que vier a se interessar pelo remédio.

*Com informações da Agência Brasil

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