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Dinastia familiar ficou no poder do povo do cânion Chaco por mais de 300 anos, com a liderança sendo transmitida como herança da linhagem materna

Em Pueblo Bonito, no Novo México, dinastia matriarcal provavelmente manteve poder durante mais de 300 anos
Wikimedia Commons
Em Pueblo Bonito, no Novo México, dinastia matriarcal provavelmente manteve poder durante mais de 300 anos

Um time de arqueólogos e antropólogos biológicos descobriu que uma dinastia matriarcal provavelmente dominou Pueblo Bonito, no Novo México, por mais de 300 anos. Para chegar a esta conclusão, os cientistas usaram uma combinação de datação de carbono radioativo e DNA antigo.

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“Não estamos afirmando que essa era uma sociedade a nível de estado, mas também não achamos que era uma comunidade igualitária”, disse o chefe de antropologia da Universidade do Estado da Pensilvânia, Douglas J. Kenneth, sobre a possível dinastia .

Anteriormente, arqueólogos acreditavam que a comunidade que vivia no cânion Chaco poderia ser desde uma sociedade igualitária sem líderes até um estado bem estabelecido -- ou mesmo um reino. As novas descobertas mostram que o grupo era organizado hierarquicamente com a liderança herdada da linha maternal.

Tipicamente, a única forma de determinar status em sociedade ancestrais é por meio dos itens enterrados junto aos líderes, além da forma como o funeral era conduzido.  Em escavações conduzidas pelo Museu Americano de História Natural, foi encontrada uma cripta datada entre 800 e 1130, com indícios de 14 funerais.

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“Ficou claro que esses eram indivíduos venerados, baseado no tratamento excepcional que receberam após a vida, já que a maioria dos chacos foi enterrada fora da construção e nunca com tantos artefatos exóticos”, afirmou o membro do Departamento de Antropologia do Museu Americano de História Natural, Adam Watson.

O ambiente de dois metros por dois metros “foi construído com o propósito de servir como cripta para membros de alto status dentro da comunidade e seus descendentes lineares”, conforme foi publicado na edição de 21 de fevereiro da revista científica “Natural Communications”.

Através do sequenciamento do DNA dos corpos na cripta, foi possível descobrir que eram todos parentes. Ademais, os cientistas perceberam que, além de serem da mesma família, estavam relacionados por laços maternos.

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“Analisando os genomas nucleares e a datação de carbono radioativo, fomos capazes de estabelecer uma relação entre mãe e filha, e outra entre avó e neto dentre os indivíduos da cripta”, disse Kenneth.

Essa é a primeira vez que declaram que uma única dinastia familiar esteve no poder de Pueblo Bonito por mais de 300 anos, caracterizando a maior evidência de hierarquia social entre os povos antigos da região.

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