
Um colar de ouro avaliado em cerca de R$ 2 milhões ajudou a Polícia Civil de São Paulo nas investigações da Operação Ouro Reverso . A joia foi dada de presente ao jogador Neymar durante um cruzeiro, pelo influenciador Buzeira, e tornou-se uma espécie de ponto de partida na investigação.
A Operação Ouro Reverso teve início em 2025, e investiga uma rede criminosa que furta itens de ouro, derrete e refaz as peças para a reinserção das mesmas no mercado. Além dos roubos, a Operação também investiga um esquema de lavagem de dinheiro com empresas de fachada.
Neymar não é um dos investigados no caso e não há indício de qualquer participação do jogador no esquema, ele aparece na apuração somente por ter recebido o colar de presente.
A ligação entre o colar e a operação
O caso começou a partir de uma investigação ao Buzeira que já estava em andamento, e tratava de possíveis irregularidades relacionadas a rifas na internet. A repercussão em torno do colar luxuoso acabou desencadeando uma nova apuração da Polícia Civil a partir do momento em que Douglas Bonetti Rocha, conhecido no meio como “Jimmy”, foi apontado como o artesão responsável pela criação da peça.
Com o depoimento de Douglas e diligências complementares, os investigadores decidiram abrir um inquérito específico para rastrear a procedência do ouro utilizado na confecção da joia. Através do avanço das investigações, os policiais chegaram a uma rede de comerciantes suspeitos de atuar na receptação de metais preciosos que viriam de furtos e roubos.
Douglas foi intimado em janeiro de 2024 e prestou depoimento, declarando que adquire ouro de diferentes fornecedores, além de participar de leilões da Caixa Econômica Federal.
A Operação Ouro Reverso
A investigação conduzida pela Polícia Civil tem como objetivo desarticular um grupo criminoso que furta joias e possui um esquema de lavagem de dinheiro, funcionando em três grupos interligados. Segundo as apurações, o primeiro grupo conta com os executores, responsáveis por praticar diretamente os furtos e roubos de joias nas ruas, sempre sob a orientação de intermediários que organizavam a logística das ações.
O segundo grupo é composto pelos processadores, comerciantes e receptadores que recebiam o material e o adulteravam, às vezes até derretendo as peças. Já o terceiro grupo era formado pelos financiadores, que eram responsáveis por lavar o dinheiro obtido com o esquema, utilizando empresas de fachada e depósitos fracionados para mascarar a origem dos recursos e inseri-los no sistema financeiro formal.
A primeira etapa da Operação foi realizada em 7 de maio de 2025, quando a Polícia Civil cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária, visando desarticular um esquema de roubo de joias e lavagem de dinheiro. Naquele momento, cerca de R$ 2,7 milhões em ouro e joias foram apreendidos, além de R$ 157 mil em espécie.
A ação se estendeu por diferentes municípios, incluindo São Paulo, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Mairiporã e Campinas. Na cidade de Ferraz de Vasconcelos, os investigadores prenderam Rony Gonçalves, apontado como o principal articulador na negociação de ouro roubado. Segundo a apuração, ele fazia parte do esquema liderado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como Mainha do Ouro, responsável por dar suporte às quadrilhas e garantir a circulação dos metais no mercado paralelo.
Nesta segunda-feira (24), a segunda etapa da operação foi realizada: quatro pessoas foram presas, 28 endereços foram fiscalizados e R$ 34,6 milhões em contas bancárias foram bloqueados.
A segunda fase mirava o “círculo de fogo”, na região central da capital paulista, espaço que concentrava o segundo grupo de criminosos, responsáveis por derreter e adulterar as joias.