Júri de Gritzbach é anulado após defesa de PMs abandonar plenário

Discussão entre advogado dos réus e acusação levou ao abandono do tribunal pela defesa e ao cancelamento do julgamento no primeiro dia de sessão

Vinicius Gritzbach em entrevista ao Domingo Espetacular
Foto: Reprodução/TV Record
Vinicius Gritzbach em entrevista ao Domingo Espetacular

O júri dos três policiais militares acusados de participação no assassinato do empresário e delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) , Vinícius Gritzbach , e do motorista de aplicativo Celso Novais, foi anulado nesta segunda-feira (22) após a defesa dos réus abandonar o plenário do Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.

O julgamento havia começado pela manhã e estava previsto para durar cinco dias, com encerramento na próxima sexta-feira (26). Com a dissolução do Conselho de Sentença, uma nova data deverá ser marcada e novos jurados serão sorteados.

“Houve abandono do plenário por parte da defesa dos réus após desentendimento com o promotor, e por isso, dissolução do conselho de sentença” , informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em nota.

Entenda a discussão

A confusão ocorreu durante o depoimento de Vinícius Gomes de Campos Cajuela, da Corregedoria da Polícia Militar.

O desentendimento começou depois que o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes mencionou um episódio em que um dos advogados de defesa teria sido vítima de um suposto atentado em Sorocaba, interior de São Paulo. Os defensores alegaram que o caso não possuía relação com o julgamento e protestaram contra a fala.

Durante a discussão, os advogados acusaram o promotor de atacar a advocacia criminal. Em um dos momentos mais tensos, chamaram Merli de “fujão” . O representante do Ministério Público respondeu: “Quem vai embora é o senhor”.

Um dos advogados retrucou afirmando que o promotor seria covarde, porque não teria coragem de abandonar o julgamento. Em seguida, Merli respondeu:

“Nas redes sociais é um leão, aqui não passa de um gatinho”.

Com os ânimos exaltados, acusação e defesa passaram a trocar acusações. Diante da situação, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo suspendeu a sessão por cinco minutos. Quando os trabalhos foram retomados, ele anunciou a anulação do julgamento após a saída da defesa do plenário.

Tensão já havia começado antes

Sede do Fórum Criminal de Guarulhos, onde ocorreu julgamento dos PMs acusados no caso Gritzbach
Foto: Beatriz Failla/iG
Sede do Fórum Criminal de Guarulhos, onde ocorreu julgamento dos PMs acusados no caso Gritzbach


A crise entre acusação e defesa, no entanto, já havia se manifestado anteriormente durante o depoimento do perito criminal responsável por atuar no caso.

Na ocasião, o advogado Renan Pacheco Canto ameaçou abandonar a defesa após o promotor afirmar que ele “defendia bandido e matador de aluguel”.

Renan chegou a se dirigir à porta do plenário e indicou que deixaria a sessão caso o promotor não fosse repreendido. Diante do episódio, o juiz determinou que Merli evitasse circular próximo aos advogados durante os questionamentos às testemunhas.

Reações após a anulação

Após o encerramento da sessão, o advogado Cláudio Dalledone falou com a imprensa na área externa do fórum e responsabilizou o comportamento do promotor pela anulação.

O juiz que dissolveu o conselho por não ter condições de seguir a sessão, tamanha a falta de postura desse sujeito, um sujeito sem educação.



A fala gerou reação imediata dos familiares de Celso Novais, morto no atentado que também vitimou Gritzbach.

“Não é o filho de vocês que está sem o pai dentro de casa. São os meus filhos. Dois anos pra vocês cancelarem o julgamento. Estou há dois anos esperando Justiça” , afirmou Simone, viúva da vítima.

Já o promotor Rodrigo Merli sustentou que a defesa abandonou o plenário após a acusação questionar a versão apresentada sobre o suposto atentado contra o advogado Mauro Rib.

O capitão apurou que, na verdade, esse suposto atentado sustentado pelo doutor Mauro Rib era uma fraude, uma mentira. E nesse momento, quando eles viram que o castelo de cartas deles estava sendo destruído, abandonaram sempre sob a pecha de que o Ministério Público criminaliza advogados. Não, nós apenas estávamos conseguindo demonstrar pro jurado que mais uma vez a defesa cria narrativas para colocar bandidos travestidos de policiais na rua, o que nós não vamos admitir.