
A Ponte Joinville avançou, em outubro, para a etapa mais complexa da obra: a construção de um vão de 160 metros que conecta o Sul e o Leste da cidade sobre o Rio Cachoeira sem instalar nenhum pilar no leito do corpo d’água.
A solução de engenharia funciona por meio da técnica de balanço sucessivo. De acordo com Paulo Mendes Castro, diretor-executivo da Secretaria de Infraestrutura Urbana (Seinfra), a técnica permite avançar atravessar grandes vãos e ocorre entre os pilares 9 e 10 da ponte.
O método consiste em partir de pontos de apoio com estruturas “móveis” no formato da letra T. O apoio é chamado “aduela de arranque”, enquanto a estrutura móvel se chama “carro de avanço”.
Os trechos são concretados no ponto em que estão, formando parte da ponte, para então avançarem e permitirem estabelecer um novo “bloco” da construção. Assim, ambos os lados avançam em direções opostas para se conectarem no meio, em equilíbrio.
O método foi escolhido justamente para evitar a implantação de pilares no leito do rio, segundo a Prefeitura de Joinville.
Em 16 de outubro, a prefeitura informou que a obra atingiu 57% de conclusão, sendo que no dia 14 anunciou o lançamento de cinco primeiras vigas já posicionadas. 123 das 127 vigas previstas para a ponte já foram construídas.
A construção começou em maio de 2024 e é realizada por Áyla Construtora, vencedora de processo de licitação. Até a última atualização da Prefeitura de Joinville, o custo da obra está em R$ 393 milhões.
A Ponte Joinville terá 980 metros de comprimento, 26 de largura e liga os bairros Boa Vista e Adhemar Garcia.
Entenda o balanço sucessivo
Para superar os 160 metros sobre o Rio Cachoeira, a Ponte Joinville parte de pilares já instalados, com segmentos de concreto que avançam de forma gradual em direções opostas, até se encontrarem no centro do trecho.
Essa técnica é chamada balanço sucessivo e elimina a necessidade de novos pontos de apoio provisórios ao longo da obra. O processo começa com as aduelas de arranque, estruturas móveis em formato T, onde outros blocos, chamados aduelas, são colocados.
Na Ponte Joinville, 20 aduelas vão formar o trecho suspenso sobre o rio, construídas por meio do “carro de avanço”, elemento móvel que serve da base para a concretagem de cada bloco.
Cada aduela recebe cabos de aço de alta tensão para reforço da resistência da estrutura depois que concretado. Depois disso, o carro de avanço se desloca e prossegue para a concretagem da próxima peça.
A cada peça, a altura é reduzida a fim de diminuir o peso da aduela e aumentar o espaço livre abaixo da ponte. Os dois lados são construídos simultaneamente até se encontrarem no centro, equilibrados, quando uma aduela de fechamento une as duas partes e finaliza a ligação da ponte.
Conexão histórica com Santa Catarina
Segundo a Prefeitura de Joinville, o método tem raízes catarinenses. Na década de 1930, umam obra pioneira de engenharia foi realizada sobre o Rio do Peixe, entre Joaçaba (SC) e Herval d’Oeste (SC).
O engenheiro Emílio Henrique Baumgart projetou a obra com a solução, à época, inédita, justamente pela construção de um vão de concreto sem escoramentos no solo. A ponte tinha 68,5 metros e foi feita com os balanços sucessivos.
Baumgart se tornou um dos nomes de destaque da engenharia estrutural brasileira conforme registro da Academia Nacional de Engenharia, pela técnica nova para concreto armado.
Aumento no custo
O contrato inicial assinado pela Prefeitura de Joinville, em abril de 2024, previa um custo de R$ 296 milhões com vigência de 30 meses. Em maio de 2026, a prefeitura divulgou que o valor subiu cerca de 32,7%, com acréscimo de R$ 97 milhões, chegando a R$ 393 milhões.
Segundo a prefeitura, o acréscimo se deu devido a R$ 48,8 milhões em acréscimos quantitativos e R$ 22,5 milhões em alterações qualitativas.
O que a ponte muda na vida das pessoas?
A prefeitura estima que cerca de 65 mil pessoas utilizarão a nova estrutura diariamente, com tempo de deslocamento menor entre as regiões Sul e Leste, que englobam cerca de 448 mil moradores.
Resumo da obra:
- Extensão: 980 metros
- Canal navegável sobre o Rio Cachoeira: largura de 80 metros e altura de 9,5 metros
- Aço: 2 mil toneladas
- Concreto: 76 mil toneladas
- Escavação para estacas de fundação: 3,3 quilômetros
- Estacas metálicas: 210 toneladas