Justiça condena dez por lavagem de dinheiro do CV em Goiás

Grupo usava empresas de fachada para ocultar recursos do tráfico em Goiânia e na região metropolitana; penas somadas ultrapassam 90 anos

Operação mira braço financeiro do Comando Vermelho e bloqueia R$ 28 milhões
Foto: Gaeco
Operação mira braço financeiro do Comando Vermelho e bloqueia R$ 28 milhões



A Justiça de Goiás condenou dez pessoas por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV ), que atuava em Goiânia e em municípios da região metropolitana. Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), o grupo utilizava empresas de fachada para receber e ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. As penas somadas ultrapassam 90 anos de reclusão.

A sentença é referente à primeira fase da Operação Cifra Vermelha, deflagrada em novembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Além das penas de reclusão e multa, a decisão determina o pagamento conjunto de R$ 100 mil por danos morais coletivos e a perda de bens apreendidos, entre eles automóveis e aparelhos eletrônicos.

A decisão foi proferida pela 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e de Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores de Goiânia. Conforme o MPGO, as condenações abrangem os crimes de participação em organização criminosa armada, lavagem de dinheiro praticada reiteradamente por intermédio de organização criminosa e falsidade ideológica.

Como funcionava o esquema

As investigações começaram a partir da atuação de Jeiziel de Oliveira Rosa, conhecido como “Perninha”, apontado pelo Gaeco como integrante do Comando Vermelho. Segundo o Ministério Público, ele, Ana Paula da Silva Barreto, Alex Vieira dos Santos e o contador Renato Thomé da Silva formavam o núcleo principal do esquema.

O grupo abria empresas de fachada destinadas a receber e ocultar dinheiro do tráfico. Foram identificadas quatro empresas: AVS Consultoria e Entretenimento Ltda., Barreto Marketing Ltda., Ativo Consultoria Ltda. e EJ Consultoria Ltda. De acordo com o Gaeco, grande parte dos traficantes responsáveis pelas remessas de dinheiro integrava a facção.

A estrutura investigada atuava na ocultação da origem dos recursos. Por meio das empresas, o dinheiro proveniente de atividades criminosas circulava em contas de pessoas jurídicas, dificultando a identificação de sua procedência e dos responsáveis pelas movimentações.

A primeira fase da operação foi deflagrada em 18 de novembro de 2025, com o objetivo de cumprir 16 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão. Também foi determinado o sequestro de R$ 28.108.517,70 em contas de pessoas físicas e jurídicas.

Penas chegam a mais de 15 anos

Alex Vieira dos Santos recebeu a maior pena: 15 anos, dois meses e 12 dias de reclusão. Ana Paula foi condenada a 14 anos, dez meses e 22 dias. Jeiziel e Widamax Vinícius da Silva receberam, cada um, 13 anos, nove meses e oito dias.

Confira as penas de reclusão divulgadas pelo MPGO:

  • Alex Vieira dos Santos: 15 anos, dois meses e 12 dias;
  • Ana Paula da Silva Barreto: 14 anos, dez meses e 22 dias;
  • Jeiziel de Oliveira Rosa: 13 anos, nove meses e oito dias;
  • Widamax Vinícius da Silva: 13 anos, nove meses e oito dias;
  • Renato Thomé da Silva: oito anos, dois meses e 22 dias;
  • Ícaro Douglas de Castro Lemos: seis anos e dez dias;
  • Jordan Roberto de Lima: seis anos e dez dias;
  • Iury Alves Santos: quatro anos e oito meses;
  • Marcelo Vieira de Lima: quatro anos;
  • Amanda Ferreira Sousa: quatro anos.

Segundo o Ministério Público, a Justiça reconheceu a causa de aumento de pena pelo emprego de arma de fogo. Para isso, considerou a vinculação do grupo ao Comando Vermelho e as armas apreendidas nas residências de Ana Paula e Alex.

A indenização de R$ 100 mil deverá ser paga solidariamente pelos dez condenados. O valor será destinado ao Fundo Especial de Apoio ao Combate à Lavagem de Capitais e às Organizações Criminosas do Estado de Goiás (Fesacoc). Conforme o MPGO, a sentença reconheceu danos à ordem econômica, à segurança pública e à administração da Justiça.

Investigação teve segunda fase em setembro

As apurações continuaram após a primeira etapa. Em 10 de setembro de 2026, o Gaeco deflagrou a segunda fase da Operação Cifra Vermelha , destinada ao cumprimento de dez mandados de prisão e 14 de busca e apreensão.

Segundo o MPGO, novas denúncias relacionadas à investigação serão apresentadas nos próximos dias.