“Inaceitável, desequilibrada”, diz Itamaraty sobre post de Milei

Presidente da Argentina questionou o sistema de voto eletrônico e chamou o presidente Lula de “esquerdista ladrão”, em manifestação em uma rede social

Javier Milei, presidente da Argentina
Foto: Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Javier Milei, presidente da Argentina

O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, emitiu uma nota nesta terça-feira (20) reprovando as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei , em uma rede social, com ofensas ao Poder Judiciário, ao sistema de voto eletrônico e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem ele se refere como "esquerdista ladrão".

"Progressistas machistas. Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos. A máscara desses criminosos está caindo... Espero que a última artimanha da campanha suja deles não envolva roubar a eleição... esquerdista ladrão", escreveu Milei.

Para o Itamaraty, as declarações de Milei constituem “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro.

Segundo afirma a nota, Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”.

“Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”, declara.

O Itamaraty afirma ainda que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”.

“A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, concluiu.

Crise diplomática

A crise na relação entre Brasil e Argentina escalou com a participação de Milei na Convenção Nacional do PL, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro, e a série de ataques a Lula durante o evento.

Milei chamou o petista de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.

Em resposta, o Itamaraty chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas e pediu explicações ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi .


O chanceler argentino, Pablo Quirno, disse não haver intenção de uma ruptura com o Brasil, mas Milei continuou chamando o presidente brasileiro de “ladrão” em entrevistas a veículos de comunicação argentinos.

Depois disso, o governo brasileiro decidiu não mandar Bitelli de volta a Buenos Aires. Raimondi, por sua vez, deixou o Brasil dias após ser comunicado da decisão.

O governo brasileiro também rebaixou as relações bilaterais com a Argentina em resposta aos ataques verbais de Milei a Lula.