
A defesa do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, pediu à Justiça de São Paulo que ele seja solto. O pedido foi feito antes da decisão sobre se o militar será levado a júri popular.
O oficial está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
O pedido para revogar a prisão preventiva de Neto foi feito no final da audiência da última segunda-feira (05), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
A reportagem do iG entrou em contato com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que informou já ter se manifestado pelo indeferimento do pedido.
A Justiça ainda deve analisar o pedido da defesa e os argumentos apresentados no processo antes de decidir pela manutenção ou revogação da prisão preventiva.
O Tribunal de Justiça de São Paulo foi procurado para comentar o caso, mas não se manifestou.
A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite também foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Contradições no depoimento
Um documento obtido pelo iG em março deste ano mostra que a perícia realizada no apartamento onde a PM Gisele morreu encontrou divergências entre o que f oi relatado por Geraldo e os vestígios encontrados no local.
A primeira divergência envolve a posição da árvore de Natal e a possibilidade de Geraldo ter visto Gisele caída na sala a partir do banheiro. Em depoimento, Geraldo afirmou que abriu a porta do banheiro e viu Gisele caída na sala. Ele também disse que a árvore de Natal estaria em cima da cama.

No entanto, segundo a investigação, a árvore estava ao lado do sofá. Dessa forma, Geraldo não conseguiria visualizar Gisele caída na sala a partir do banheiro. A árvore só teria sido retirada do local quando os socorristas chegaram, para facilitar o atendimento à vítima.
Outra divergência apontada na investigação envolve a posição da arma. O sargento Rodrigues afirmou, em depoimento, que r etirou a arma da mão de Gisele para iniciar o socorro.
Geraldo, por outro lado, relatou que a arma estava no chão da sala.

O laudo da perícia também apontou a presença de vestígios de sangue a 1,54 metro de altura na janela de vidro da sala. Com base nos vestígios analisados, a perícia concluiu que não seria provável que Gisele tivesse atirado contra a própria cabeça, caído no chão e permanecido com a arma na mão.
A perícia também apontou que a dinâmica de formação das manchas de sangue encontradas sobre o corpo de Gisele era incompatível com a posição em que ela foi encontrada.
Além disso, foram coletadas amostras da toalha e da bermuda usadas por Geraldo após o segundo banho que ele tomou no dia da morte. Segundo o laudo, o material apresentou reações químicas ao ser submetido ao reagente utilizado na análise, indicando a possível presença de sangue nas duas peças.

Relembre o caso
No dia 18 de fevereiro deste ano, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves foi encontrada com um tiro na cabeça, no apartamento em que morava com o companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite.
Às 7h28, uma testemunha vizinha ouviu um disparo. O tenente-coronel, que estava no local da ocorrência, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) às 7h57.
Geraldo disse à polícia que estava no banho no momento do disparo. No entanto, socorristas que chegaram ao local informaram que ele estava seco e que não havia sinais de água no banheiro.
De acordo com os peritos da Polícia Científica de São Paulo, Geraldo teria imobilizado a vítima, agarrando-a pelas costas. Gisele tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito colocou uma arma de fogo próxima à cabeça dela.

O laudo identificou lesões compatíveis com pressão de dedos na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Também foi encontrada uma marca superficial de unha.
A investigação sobre a morte da soldado Gisele, inicialmente tratada como suicídio, foi reclassificada como feminicídio após novas provas, depoimentos de testemunhas e inconsistências encontradas durante as investigações.