
Uma das vítimas da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, presa na segunda-feira (21), suspeita de provocar mutilação íntima em pacientes, relatou que a profissional disse ser normal o surgimento de bolhas nos seios após o procedimento estético .
Maria Aparecida Batista Moura, de 36 anos, disse, em entrevista ao Mais Goiás, que os ferimentos apareceram na manhã seguinte à aplicação de endolaser para levantamento das mamas, realizada em 3 de setembro. Ao procurar a profissional, ela diz ter sido tranquilizada sobre a reação.
“Eu já acordei com aquelas bolhas. Mandei mensagem para ela, perguntando se era normal dar bolhas. Ela falou que era normal”, contou ao portal.
A paciente relatou que conheceu o trabalho da fisioterapeuta por indicação de uma amiga e decidiu fazer o procedimento depois de ver a divulgação nas redes sociais. O valor oferecido era de R$ 1,8 mil para mulheres que autorizassem o uso de imagens dos resultados, sem identificação do rosto.
Durante o atendimento, Maria afirma que sentiu calor e dores intensas, mesmo após receber anestesia local. Segundo ela, a fisioterapeuta aplicou mais anestésico depois de ouvir suas queixas e continuou o procedimento.
Nos dias seguintes, as lesões pioraram. A empreendedora contou que continuou trabalhando e usando a pomada indicada porque acreditava que os ferimentos faziam parte da recuperação. Por volta do 14º dia, enviou novas imagens à profissional e recebeu a orientação de retornar ao consultório para que fossem feitos pontos.
“O mais terrível foi ela ver a situação dos meus seios e falar para eu voltar lá para ela dar pontos”, afirmou ao Mais Goiás.
Maria disse que decidiu procurar um pronto-socorro após mostrar as fotografias a uma amiga, que a alertou sobre a gravidade dos ferimentos. Depois da avaliação médica e da espera por uma vaga, foi transferida para uma unidade em Senador Canedo, na região metropolitana da capital.
“Parece que não foi nem comigo. Eu ainda estou em choque, parece que estou fora de mim”, declarou.
Relembre o caso
A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva foi presa preventivamente na segunda-feira (21), em Goiânia, sob suspeita de causar mutilações íntimas, queimaduras e outras lesões graves durante procedimentos estéticos. Conforme mostrou o iG, a Polícia Civil havia identificado sete vítimas até a divulgação da operação.
As denúncias envolvem intervenções nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. Uma das pacientes afirmou que houve retirada de tecido além do autorizado, com lesão na região do clitóris. Os investigadores suspeitam que os procedimentos tenham ultrapassado os limites técnicos e legais da atuação profissional da fisioterapeuta.
Além da prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, um na residência de Magda e dois em seus consultórios. Segundo a polícia, foram encontrados medicamentos vencidos e constatada a ausência de licença sanitária no local vistoriado. A apuração reúne depoimentos, documentos, imagens e elementos periciais.
Em nota, a defesa afirmou que Magda está à disposição das autoridades e sustentou que sua inocência será comprovada. Disse também confiar que a investigação demonstrará a regularidade de sua atuação e o cumprimento dos protocolos técnicos nos atendimentos.