
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou um relatório à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, no qual aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições de outubro. O documento, encaminhado às autoridades no fim do mês passado, identifica uma escalada da pressão americana sobre o Brasil, de acordo com informação divulgada pela Folha de S.Paulo.
No documento, a Abin aponta um “nível de criticidade” em relação à possibilidade de interferência externa e afirma haver uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”.
De acordo com o órgão, houve uma intensificação das ações do governo de Donald Trump em relação ao país nos últimos meses.
A agência relaciona esse movimento à estratégia de Trump para a América Latina. Segundo o relatório, os Estados Unidos buscam reduzir a influência de potências rivais na região, sobretudo da China, e impedir o acesso desses países a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura.
A Abin também aponta uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo norte-americano e cita as s anções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas . Na avaliação da agência, as medidas representam uma mudança de fase na pressão americana sobre o país.
O relatório também menciona o secretário de Estado americano Marco Rubio, atribuindo à sua atuação um componente ideológico e o objetivo de influenciar a política externa dos países da região.
TSE não vê indício
No TSE, porém, a avaliação até o momento é de que não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral, segundo divulgado pelo Globo.
A leitura é que o alerta feito pela Abin deve ser acompanhado pelo tribunal, mas que, até agora, esse risco não se traduziu em episódios de interferência percebidos no andamento das eleições .
A Abin participa de dois núcleos criados pelo TSE para as Eleições 2026: o Núcleo Institucional de Apoio Eleitoral (NIAE) e o Núcleo Institucional de Garantia dos Direitos Eleitorais (NIGDE).
O primeiro atua na prevenção e solução de problemas que possam comprometer serviços e estruturas essenciais à segurança e à normalidade do pleito.
Já o segundo trabalha na prevenção e apuração de práticas criminosas relacionadas às eleições e na proteção da liberdade e da segurança de eleitores e servidores da Justiça Eleitoral.
A participação da agência nos colegiados integra a estrutura de monitoramento das eleições e possibilita o compartilhamento de informações sobre possíveis ameaças ao processo eleitoral.