
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga o caso envolvendo um atendente de necrotério do Instituto Médico Legal (IML) de Santos, litoral paulista suspeito de usar o celular de uma pessoa falecida para fazer um PIX para si mesmo, no valor de R$ 7 mil.
O atendente foi detido na manhã da última segunda-feira (8), em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça
O caso chegou ao conhecimento da polícia a partir de um boletim de ocorrência, pela família do homem, no 3º Distrito Policial de Santos, em 24 de maio.
Desabafo da viúva da vítima
A viúva, que prefere não ser identificada, foi quem desconfiou do crime e fez a denúncia. Ela contou ao iG que, no último dia 15 de maio, ao sair do trabalho, seu marido acabou se acidentando com sua motocicleta e faleceu no local.
O corpo, então, foi encaminhado para o IML da cidade e a família informada.
Todo o processo seguiu o rito normal e a família recebeu os pertences do rapaz algumas horas depois. Ela conta, porém, que percebeu que o celular estava danificado, não ligava, mas ninguém suspeitou de nada.
Passadas algumas semanas, seguindo os trâmites legais após o falecimento do marido, ela notou algo estranho, ao encerrar a conta bancária do marido.
Eu vi que a conta estava negativa, em 3 mil reais, e eu sei que ele nunca deixava a conta negativada, ainda mais com um valor tão alto. Pedi o extrato bancário mais detalhado e vi que uma transferência no valor de R$ 7 mil havia sido feita no dia 15 de maio, depois do horário da sua morte Viúva da vítima, que prefere não ser identificada
No extrato, ela também teve conhecimento do nome da pessoa que recebeu a quantia, quando seu marido já havia falecido.
Joguei o nome da pessoa no google e vi que se tratava de um policial que trabalha no necrotério IML
A partir dessa constatação, ela diz que foi até a delegacia, registrou boletim de ocorrência, e depois foi até a Corregedoria da Polícia Civil para fazer a denúncia, já que o suspeito é um policial.
Ela tomou conhecimento, nesta segunda-feira, que ele havia sido preso e afirma que, agora, espera que a justiça seja feita. Ela ainda não recebeu o valor roubado do marido morto de volta.
Espero que ele seja exonerado e fique preso, porque o que ele fez com a gente não tem perdão. Ele usou de má-fé, se aproveitou de um momento delicado, se aproveitou de uma pessoa que estava ali, sem vida, para roubar. Não teve respeito nenhum pelo meu esposo, pela família. Ele não causou só dano material, ele causou um dano emocional em todos nós, que nem conseguimos viver o nosso luto em paz. Ele pode devolver milhões, mas nada vai apagar o que aconteceu
O que diz a polícia
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou à reportagem, por meio de nota, que as investigações estão com a Corregedoria da Polícia Civil. O órgão apura denúncia de crimes de peculato, furto, fraude eletrônica e destruição de vestígios probatórios.
A Superintendência Polícia Técnico-Científica (SPTC), que acompanha o caso, destaca que “não compactua com desvios de conduta e adota as medidas administrativas e disciplinares cabíveis sempre que irregularidades são identificadas”.