Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos) afirma que haverá redução imediata após aprovação
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos) afirma que haverá redução imediata após aprovação

Uma transição gradual na nova jornada de trabalho dos brasileiros, com prazo de 12 meses , foi confirmada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), nesta segunda-feira (25). 

O parlamentar confirmou que foram feitos acordos com o Governo Federal, que defendia a implantação imediata da mudança, para a redação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) avançar no Congresso.

O texto reformulado na Comissão Especial fixa também jornada máxima de 40 horas semanais, com proibição expressa de corte salarial. Esta semana é deciva para o seguimento da PEC do fim da escala 6x1, na Câmara.

A Comissão Especial está reunida, nesta noite de segunda, para a leitura e votação do texto do deputado Leo Prates ( Republicanos), relator e responsável pela condução do texto da PEC 6x1 nesta fase final na Câmara.

Segundo o deputado Alencar Santana ( PT), a “ordem” interna da Casa é para que a PEC tome ritmo mais acelerado essa semana. Ele também confirmou cronograma de votações em dois cenários possíveis, em caso ou não de pedido de vistas - solicitação regimental para mais tempo de análise do material antes da votação. Veja como será:

  • Comissão Especial: o texto será lido nesta segunda (25) e, no caso de pedido de vista, só é votado na Comissão na próxima quarta (27); se não for solicitado, o texto é votado ainda nesta segunda. 
  • Plenário da Câmara: no caso de pedido de vista na etapa anterior, na Comissão Especial, a votação geral na Casa será na próxima quinta (28), pela manhã. Já se o texto for votado hoje na sessão das 17h da comissão, o Plenário adianta a data para a quarta (27).

Pontos do novo texto da PEC 6x1

A redução na carga horária do trabalhador, inicialmente sugerida para 36 horas semanais, mudou no meio do caminho do trâmite legislativo e parou na marca de 40 horas semanais, uma redução de 4 horas na carga horária, o que representa 9% a menos. 

Outro ponto negociado nas comissões por onde a PEC tramitou foi a forma que essa redução será feita.

O presidente da Câmara pontua uma adequação gradual para os setores de trabalho e seguirá etapas distintas. Ele fortaleceu ainda os pontos principais do novo cronograma de trabalho:

  1. 60 dias após a promulgação (aprovação total) da PEC, entra em vigor a redução imediata de duas horas (2h) na jornada de trabalho semanal - de 44 para 42 horas. 
  2. No final de um ano após a aprovação da matéria constitucional, será retirada mais duas horas, atingindo o limite final de 40 horas. Nesse novo desenho, a transição total é concluída no período de 12 meses, conforme termos acordados pela presidência da Câmara.
  3. O descaso do trabalhador deixa de ser de um dia para dois dias na semana.
  4. É proibida a redução salarial com a diminuição da carga horária.


















"A Constituição vai dar o teto e o piso"

Segundo o relator da proposta final da PEC, a proposta buscou equilibrar as demandas trabalhistas com as necessidades do setor empresarial. O relator da matéria ressaltou que a nova lei vai estipular “o teto e o piso máximos”, mas que o detalhamento das regras setoriais serão de responsabilidade das convenções coletivas e projetos de lei específicos. 


"Não temos essa de acordo coletivo. A política é construída individualmente e é isso que a política faz", complementou. Prates disse ainda que as “responsabilidades foram compartilhadas com o povo brasileiro”

O relator da PEC destacou que o papel do Legislativo é definir pontos constitucionais das leis e que o detalhamento vem com convenções coletivas e projetos de lei específicos
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
O relator da PEC destacou que o papel do Legislativo é definir pontos constitucionais das leis e que o detalhamento vem com convenções coletivas e projetos de lei específicos


O Ministério do Trabalho e a Secretaria de Relações Institucionais, que representam o Poder Executivo, acompanham de perto as tratativas sobre a PEC no Congresso

O texto final está sendo apresentado nesta momento, em audiência da Comissão Especial e deve seguir pela noite. A PEC altera o Art. 7º da Constituição Federal de 88 (CF 88), proposta inicial do deputado federal Reginaldo Lopes ( PT).

Como a proposta se trata de uma mudança em texto constitucional, a matéria precisa de 308 votos favoráveis, votados em dois turnos - duas rodadas - antes de ser encaminhada ao Senado Federal.

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