Manifestação contra professor acusado de estupro em São José dos Campos (SP)
Reprodução/redes sociais
Manifestação contra professor acusado de estupro em São José dos Campos (SP)


Uma denúncia de estupro envolvendo um professor da Universidade Estadual Paulista ( Unesp) de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, gerou uma série de manifestações na cidade e também nas redes sociais. Uma ex-aluna afirmou em uma publicação no Instagram ter sido abusada pelo professor.

Após o post viralizar, estudantes da universidade realizaram um protesto no campus da Avenida Engenheiro Francisco José Longo, no bairro Jardim São Dimas, na área central de São José.

Veja o vídeo da manifestação e, na sequência, o depoimento da ex-aluna Carolina Ferreira Santos denunciando o crime:


Nas imagens, é possível ver diversos alunos com cartazes. As frases chamam a atenção e o caso ganhou ainda mais repercussão. Os jovens cobram da universidade medidas e que a instituição investigue a denúncia da ex-aluna.

A denúncia

Carolina Ferreira Santos
Redes sociais
Carolina Ferreira Santos


A vítima que denunciou o caso é Carolina Ferreira Santos, uma ex-aluna do curso de Odontologia da Unesp, de 22 anos.

Em uma postagem nas redes sociais, a jovem afirma que foi estuprada pelo docente logo no início do curso, em 2023.


Além disso, Carolina diz que sofreu ameaças e que ficou com a saúde comprometida, após o crime.

No meu primeiro ano, esse sonho foi interrompido de forma violenta: eu fui estuprada por um professor. Na época, eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Hoje eu sei que desenvolvi diversos transtornos ocasionados por isso." Carolina Ferreira Santos, ex-aluna


Após não conseguir mais continuar com a faculdade, por conta do ocorrido, a estudante decidiu trancar o curso.

Mas foi ficando insustentável. Além da dor, vieram ameaças. Chegou um ponto em que eu simplesmente não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise. Foi quando eu tranquei minha matrícula e, pela primeira vez, contei aos meus pais." Carolina Ferreira Santos, ex-aluna


Ainda nesta publicação, Carolina afirma que chegou a falar com a faculdade, mas que houve negligência por parte da instituição, que disse que nunca houve nada parecido.

Já vídeo foi publicado no dia 29 de abril. Com ele, Carolina recebeu o apoio de outras mulheres e, a partir disso, os estudantes da Unesp realizaram a manifestação.

Só quem passou na pele algo parecido, um assédio ou uma importunação, só quem passou por isso sabe o que sente. O sentimento de ser suja, de ter culpa onde você não tem, eu não conseguia falar na época." Carolina Ferreira Santos, ex-aluna


O vídeo do depoimento da vítima já soma mais de 700 mil visualizações e, segundo a jovem, apareceram outras mulheres que foram vítimas do mesmo homem.

A partir disso, muitas outras meninas, muitas outras mulheres, mulheres que se formaram há 20 anos, que se formaram antes mesmo de eu nascer, estão compartilhando do mesmo que aconteceu comigo. As mesmas figuras, o mesmo tipo de modus operandi, tudo igual." Carolina Ferreira Santos, ex-aluna


Investigação

A Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP) informou ao iG que abriu uma investigação para apurar o caso.

O crime foi registrado como violência doméstica, ameaça e estupro  por meio da Delegacia da Mulher Online e foi encaminhado à DDM de São José dos Campos.

Ainda segundo a SSP, as diligências prosseguem para o esclarecimento dos fatos.

De acordo com o boletim de ocorrência obtido pelo iG, Carolina registrou o B.O. no dia 2 de maio, dois dias antes da manifestação.

O documento afirma que o professor ofereceu carona para levar a aluna para a rodoviária; porém, no caminho, o homem desviou da rota e usou a violência física para praticar o crime.

Sob pretexto de oferecer carona segura até a rodoviária, o autor desviou a rota para local ermo e, mediante violência física, praticou conjunção carnal contra a vontade da vítima. Desde o crime, o autor passou a coagir a vítima com ameaças contra a vida de seus pais para assegurar seu silêncio. Tal trauma resultou em grave quadro psicológico e somatizações físicas (desmaios e sangramentos), documentados em relatórios médicos, levando à interrupção dos estudos da vítima. " trecho do boletim de ocorrência


Ainda no B.O., a polícia afirma que Carolina e a mãe receberam ameaças após a denúncia nas redes sociais.

A investigação, segundo o documento, apura os crimes de estupro, violência psicológica e ameaça.

Em nota enviada ao iG, a defesa de Carolina agradeceu  o apoio recebido e afirmou que está tomando todas as medidas jurídicas urgentes e necessárias. Os advogados destacam que buscam "não apenas a apuração rigorosa dos fatos, mas a responsabilização exemplar do acusado".

Neste primeiro momento, nossa prioridade absoluta foi o acolhimento técnico e humanizado de Carolina e de sua família. Entendemos que a denúncia é um ato de resistência em um sistema que, historicamente, descredibiliza a palavra da vítima. O relato de Carolina serviu como um necessário 'abrealas', expondo a fragilidade institucional e o sentimento de impotência que aflige tantas outras alunas diante de seus algozes. nota da defesa de Carolina Ferreira Santos


O que diz a Unesp

Em nota, a Unesp informou que afastou dois professore s citados em denúncias, incluindo o docente do caso da Carolina.

Além disso, a Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) abriu dois Processos de Investigação Preliminar para investigar os episódios que tiveram registro na Ouvidoria.

A Unesp ressaltou também que todos os casos devidamente registrados são apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente.

Por fim, a universidade diz que acompanha de perto as manifestações e repudia qualquer forma de assédio.

O que diz a defesa

No boletim de ocorrência de Carolina, o autor é apontado como Rodrigo Máximo de Araújo. De acordo com o site da Unesp, ele é responsável por pelo menos cinco disciplinas diferentes.

Em nota enviada ao iG, assinada pelo advogado Fábio Pereira do Nascimento, a defesa do professor nega todas as acusações que recaem sobre ele.

Além disso, a defesa afirma que vai "adotar todas as medidas cabíveis em observância  aos princípios que regem o Estado Democrático de Direito, notadamente o contraditório a ampla defesa", oportunidade em que, segundo o advogado, será demonstrada a inocência do professor.

Ainda na nota, a defesa pede para que a imprensa e a sociedade aguardem a investigação e evitem julgamentos precipitados "que possam comprometer a honra e os direitos fundamentais do investigado".


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