
A escola de samba Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar na apuração do Carnaval do Rio e foi rebaixada do Grupo Especial. A escola, que havia sido promovida para o grupo neste ano, retorna para a Série Ouro.
A Acadêmicos de Niterói chamou a atenção neste ano no Grupo Especial ao contar a história do presidente Luiz Inácio Lula de Silva (PT), desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, até a Presidência da República.
Logo após o anúncio do rebaixamento, a oposição ao governo Lula reagiu nas redes sociais. Para aliados de Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro, que confirmou sua pré-candidatura a presidente pelo PL, o desfile da Acadêmicos de Niterói se configura campanha eleitoral antecipada.
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Um dos que reagiram ao rebaixamento minutos após o anúncio foi o próprio Flávio Bolsonaro, com uma postagem nas redes sociais afirmando que "quem ataca a família, não merece aplauso".
"Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo. Nunca nos esqueçamos: família é algo sagrado. Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT", disse, na legenda.
O irmão de Flávio, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) também comentou a derrota da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial.
"Dinheiro do contribuinte, palco político e promoção pessoal. Na prática, propaganda antecipada com maquiagem de evento cultural. Desagradou a maioria, usou a máquina pública… e ainda saiu do desfile para uma derrota humilhante", afirmou, destacando na postagem uma foto de Lula ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), na noite do desfile.
Quem também se manifestou nas redes foi o deputado Messias Donato (Republicanos), antes mesmo da conclusão do resultado.
Em postagem, ele afirmou: "Vai cair! Escola que fez homenagem a Lula lidera a colocação no rebaixamento".
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que após o desfile disse que ia acionar o Ministério Público contra a escola de samba e contra Lula, reagiu na sua conta na rede social X.
"A escola foi rebaixada demonstrando como o Lula está afundando o Brasil. Isto sim foi uma homenagem muito bem adequada", postou.
Nesta quarta-feira (18), Nikolas anunciou que também vai representar no MP contra a escola de samba por intolerância religiosa.
O desfile
Logo na comissão de frente, a Acadêmicos de Niterói levou para a Sapucaí uma representação da rampa do Palácio do Planalto, lembrando a última posse de Lula, ao lado de integrantes da sociedade civil.
Atores e bailarinos também representaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Em um dos carros, a escola trouxe uma crítica às políticas sociais da época do governo de Jair Bolsonaro e à forma como ele enfrentou a pandemia.
Na parte traseira, o carnavalesco fez uma referência à prisão do ex-presidente.
Lula acompanhou o desfile de um camarote especial e depois desceu.

Lula com integrantes dos Acadêmicos de Niterói
Já a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que integraria o carro alegórico “Amigos de Lula”, desistiu pouco tempo antes de entrar na Sapucaí, o que colaborou para as notas da escola nas categorias “alegorias e adereços” e “conjunto”, já que houve divergência entre o projeto e a deflagração do desfile.
O desconto pode acontecer, porque o livro “Abre-alas” – documento com informações para acompanhamento do desfile – ainda continha o nome de Janja como parte da atração. O material é entregue anteriormente para os jurados e não foi atualizado a tempo sobre a desistência.
A escola também perdeu pontos, porque teve problemas para retirar seus carros alegóricos da Praça da Apoteose, no final do desfile.