A Polícia Civil de Rondônia investiga como
feminicídio,
o assassinato da
professora e escrivã de polícia Juliana Mattos de Lima Santiago
,
morta a facadas em uma sala de aula do Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca) de Porto Velho, em Rondônia. O crime aconteceu na última sexta-feira (06).
Segundo a delegada Leisaloma Carvalho, responsável pelo caso, a principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado por frustração amorosa do aluno suspeito, que não aceitava a recusa da vítima.
Ataque ocorreu ao final da aula
Durante entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (09), a delegada afirmou que o suspeito, João Júnior, aluno regularmente matriculado na instituição, atacou a professora ao final da aula. Ele foi preso ainda no mesmo dia, nas dependências da faculdade. No momento da prisão, o jovem teria mencionado um suposto relacionamento amoroso com Juliana, versão que, segundo a polícia, não se sustenta.
“ Não houve relacionamento. Ao contrário, a professora impôs limites claros na relação entre aluno e docente, limites que ele tentou ultrapassar
”, afirmou a delegada.
Ciúmes e publicações em redes sociais
Segundo a investigação, o suspeito demonstrava ciúmes e teria se incomodado com uma publicação feita pela professora em redes sociais ao lado do namorado . Em uma das mensagens enviadas à vítima, o aluno teria afirmado que “perdeu para a concorrência”. Para a polícia, o crime foi motivado pela inconformidade do suspeito diante das recusas de Juliana às investidas amorosas.
A delegada também descartou a hipótese de que o ataque estivesse relacionado a notas baixas ou conflitos acadêmicos . Segundo ela, o aluno não apresentava desempenho prejudicado nas disciplinas ministradas pela professora.
Primeiro dia de aula da turma
Juliana havia ingressado na instituição em janeiro do ano passado e passou a lecionar para o suspeito no semestre anterior. O dia do crime, foi o primeiro dia de aula daquela turma. A professora levou chocolates para a sala e promoveu uma dinâmica com os alunos antes do ataque.
A vítima foi atingida no coração e morreu no local. A polícia informou que não há indícios de que a faca utilizada pertencesse à professora
. O namorado de Juliana afirmou às autoridades que o objeto não era dela, e os investigadores não descartam a possibilidade de premeditação
. O celular do suspeito não foi apresentado à polícia e não estava em sua posse no momento da prisão.
João Júnior foi autuado em flagrante
. A prisão foi convertida em preventiva após decisão judicial. Durante o depoimento na delegacia, ele permaneceu em silêncio, acompanhado por advogado.
O corpo de Juliana Mattos de Lima Santiago foi velado e cremado em Salvador, na Bahia, no último domingo (08).
Notas de pesar e repúdio
Em nota de pesar,
o Grupo Educacional Aparício Carvalho lamentou a morte da professora e destacou seu legado acadêmico.
“ A violência que silenciou sua voz não apagará seu legado. Sua trajetória e compromisso com a formação jurídica permanecerão como referência de excelência acadêmica, ética e dignidade
”, diz o comunicado.
O deputado estadual Edevaldo Neves (Patriota) também se manifestou em suas redes sociais, repudiando a violência em ambientes educacionais.
“ Trata-se de um crime bárbaro que não atinge apenas familiares, amigos e alunos, mas toda a sociedade. A violência dentro de um ambiente educacional é inaceitável
”, afirmou.